África vai vacinar 20 milhões de bovinos contra febre aftosa em 10 anos
A África do Sul lançou ontem uma campanha para vacinar cerca de 20 milhões de bovinos em 10 anos, face a um surto de febre aftosa que está a reduzir os seus mercados de exportação.
A epidemia começou em 2021 e desde então já atingiu oito das nove províncias do país, disse o ministro da Agricultura da África do Sul, John Steenhuisen, lamentando o "custo financeiro e emocional" para os criadores, noticia a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
Esta infeção viral altamente contagiosa não é perigosa para os seres humanos, mas é virulenta em ruminantes como bovinos, ovinos e caprinos, causando febre, bolhas e, por vezes, a morte.
Desde o aparecimento da febre, "os nossos agricultores enfrentam desafios sem precedentes", disse aos jornalistas na Cidade do Cabo, citado pela AFP.
O plano, dividido em quatro fases, prevê o fornecimento pelo governo de vacinas importadas da Argentina e da Turquia, além das provenientes do vizinho Botsuana.
A produção local também será reforçada, com uma nova linha de produção que deverá começar por fornecer 20 mil doses por semana, antes de aumentar a sua capacidade para 960 mil doses.
"O objetivo é reduzir a incidência da epidemia em mais de 70% em 12 meses nas províncias de alto risco", explicou o governante.
O número de bovinos que morreram durante o surto atual é ainda desconhecido, uma vez que muitos agricultores optaram por abater os seus rebanhos e os casos, muitas vezes, não são comunicados.
Em 2024, a África do Sul exportou cerca de 38.600 toneladas de carne bovina, de acordo com a organização patronal do setor, principalmente para os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Egito.
A China, um dos seus principais mercados, suspendeu as importações de carne bovina da África do Sul devido à febre aftosa.