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Activistas bielorrussas pedem ao Governo português soluções para imigrantes após alterações legais

A fundadora da start-up Imaguru Ventures comentou que existe em Portugal continental e na ilha da Madeira uma "comunidade muito vibrante de bielorrussos, com uma ambição internacional muito grande"

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Foto ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA

Ativistas bielorrussas pediram hoje em Lisboa ao Governo português que apoie os imigrantes da Bielorrússia, alertando que estes estão impedidos de renovar a residência após as recentes alterações à Lei da Nacionalidade.

"Infelizmente, uma alteração recente na legislação portuguesa tornou impossível a muitos bielorrussos prolongar a sua [autorização de] residência portuguesa ou continuar a viver aqui", afirmou a empresária Tania Marinich, numa conferência de imprensa na Web Summit, cimeira tecnológica que decorre em Lisboa até quinta-feira, ao lado da líder da oposição bielorrussa no exílio e ativista dos direitos humanos, Sviatlana Tsikhanouskaya.

"Pedimos ao Governo português, com profundo respeito, para que continue a apoiar os empresários bielorrussos e os apoie legalmente e institucionalmente para que possam contribuir de forma plena" para a economia portuguesa, acrescentou Tania Marinich, exilada em Madrid e condenada a 12 anos de prisão à revelia, na Bielorrússia.

A fundadora da start-up Imaguru Ventures comentou que existe em Portugal continental e na ilha da Madeira uma "comunidade muito vibrante de bielorrussos, com uma ambição internacional muito grande".

Depois de terem recebido autorização de residência, cidadãos bielorrussos veem-se agora impedidos de prolongar a permanência em Portugal, uma vez que têm os passaportes bielorrussos caducados e não podem renová-los, dada a situação política do país, liderado pelo Presidente Alexander Lukashenko, há mais de 30 anos no poder.

"Agora, sem terem um passaporte válido, eles não podem prolongar a residência. Então, antes era possível, mas agora não é", comentou Tania Marinich.

"Eles estão mais ou menos legais, com uma autorização de residência enquanto têm o passaporte válido, mas e depois?", perguntou a ativista

Estes cidadãos, salientou, "estão baseados aqui, têm as suas empresas e estão a contribuir para a economia local".

O problema, acrescentou por sua vez a líder da oposição bielorrussa, não afeta apenas os empresários, mas todos os cidadãos daquele país que vivem atualmente em Portugal.

"Alguns bielorrussos que vieram da Ucrânia após o início da guerra agora estão prestes a ser deportados de Portugal. E parece que aqueles que são refugiados duplos - primeiro fugiram da Bielorrússia por causa da repressão, depois fugiram da Ucrânia por causa da guerra - não podem voltar a lado nenhum: nem para a Bielorrússia, porque vão ser perseguidos, nem para a Ucrânia, porque há uma guerra", afirmou Sviatlana Tsikhanouskaya, que vive no exílio na Lituânia.

As ativistas fizeram chegar ao Governo português um conjunto de propostas para procurar ultrapassar a situação.