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Oposição pede ajuda à Noruega para recuperar ordem constitucional na Venezuela

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Foto EPA

A oposição venezuelana pediu à Noruega que interceda no sentido de fazer com que Caracas cumpra o Acordo de Barbados para recuperar a ordem constitucional e conseguir eleições livres na Venezuela.

"Exortamos ao Governo da Noruega, na qualidade de facilitador do processo de diálogo e negociação entre os intervenientes políticos, a utilizar os recursos diplomáticos à sua disposição para garantir o pleno cumprimento do Acordo de Barbados", explica um comunicado divulgado em Caracas.

O documento, assinado pela líder opositora Maria Corina Machado, explica que a facilitação da Noruega, "não só é fundamental para a paz e a convivência entre os venezuelanos, como é também um exercício necessário para a recuperação da ordem constitucional".

"O Acordo tem sido violado pelo regime que preside Nicolás Maduro. O objetivo era garantir eleições livres e justas e, cinco meses depois de ter sido assinado (...), foi violado o direito dos venezuelanos a escolher um candidato para as próximas eleições. Estou pessoalmente ciente desta situação porque Maduro tem procurado impedir, por todos os meios, a minha participação como candidata presidencial das forças democráticas do país", explica.

Maria Corina explica que o acordo assinado "representa um marco no longo e difícil processo de negociação (...) o compromisso mais abrangente que as partes de um conflito político decidiram aceitar até à data, de modo explícito e sob a supervisão de acompanhantes internacionais".

Também que foi acordado que poderiam eleger livremente um candidato às presidenciais, que haveria garantias, a promoção de um clima político favorável a um processo pacífico e participativo, segurança, liberdade de circulação e reunião para os candidatos, equilibro na imprensa pública e privada, e a autorização de quem cumprisse os requisitos estabelecidos pela legislação venezuelana.

No entanto, afirma, registaram-se "violações flagrantes do acordo" entre elas que "a Sala Político Administrativa do Supremo Tribunal de Justiça emitiu uma sentença penal, sem estar facultada para tal, ratificando" e a sua "ilegal desqualificação para exercer cargos públicos".

"Continuam a impedir-me de apanhar voos, dentro da Venezuela e para sair do país (...) muitos dos que me apoiam estão a ser alvo de retaliações", denuncia a opositora precisando que "as estações de rádio e televisão estão a ser ameaçadas para que não a entrevistem".

Também que pelo menos oito dos seus colaboradores "foram objeto de desaparecimentos forçados e privados do acesso à justiça, bem como as suas famílias".

"Seis deles continuam em cativeiro (Henry Alviarez, Dignora Hernández, Juan Freites, Luis Camacaro, Emil Brandt e Guillermo López). Cinco dos meus principais colaboradores, perseguidos, refugiam-se na Embaixada da Argentina em Caracas (Magallí Meda, Omar González, Pedro Urruchurtu, Claudia Macero e Humberto Villalobos) e um destacado venezuelano, participante nos processos de negociação (Fernando Martínez Mottola)", explica.

A opositora lembra que foi recentemente suspenso o serviço elétrico àquela Embaixada e que Nicolás Maduro classificou o seu partido, Vente Venezuela, de "organização terrorista".

"Para nos acusar, forjaram provas e obrigaram alguns detidos a acusar os seus próprios camaradas de falsas conspirações armadas", sublinha.

A opositora explica que a sua substituta, Corina Yoris, foi também impedida de candidatar-se e que as suas equipas "correm o risco de novos desaparecimentos forçados" e que inclusive ela própria pode ser alvo de "uma detenção injustificada".

Maria Corina acusa ainda o regime de "impor um calendário eleitoral manipulado com o objetivo de garantir uma vantagem ilegal e inaceitável".

"Nesta hora escura, o acompanhamento dos venezuelanos é mais importante do que nunca na nossa luta para abrir uma via pacífico, democrática, constitucional e eleitoral para um futuro em democracia e liberdade", conclui.