A inaudita unanimidade da CP do PS
1. Paulo vincou duas vezes que a Comissão Política aprovara - por unanimidade! - o apoio à Moção de Censura do Chega ao Governo. Esta unanimidade norte-coreana tem responsáveis, o primeiro dos quais é Carlos Pereira. Ora essa!
2. A nível nacional, Pedro Nuno Santos anunciou 48 horas antes que ia propor a abstenção no OE à Comissão Política Nacional (CPN). Fê-lo porque vozes de peso se levantariam na CPN, mormente da ala de oposição interna. Na Madeira, como o Paulo bem sabia, não há, porque as que podiam lá estar abdicaram de apresentar uma candidatura no último congresso. Optam por usar as redes e os media, quando tinham o dever de ir à disputa democrática. Falo de Miguel Silva Gouveia, de João Pedro Vieira, mas, sobretudo, Carlos Pereira, que parece só estar disponível para tomar o poder se lho for concedido e não para disputá-lo.
3. Se as houvesse, vozes discordantes, o PS não tropeçaria duas vezes na mesma pedra: se deixar liderar por uma partido mais pequeno, antes com o JPP, agora com o Chega.
4. Só que este caso é mais grave, o PS deixa-se liderar pela Extrema-Direita populista. E nisso se inclui, no populismo, a subversão do Estado de Direito: as pessoas são julgadas nas redes sociais e nos media. Não nos tribunais. Seja com Lula, Sócrates, Carmona Rodrigues, Sócrates, Rui Moreira, Miguel Macedo, Costa ou Albuquerque o meu princípio sempre foi o mesmo: o do Estado de Direito. Não há condenações por antecipação, quem julga são os tribunais, quem tem de decidir é cada um em sua consciência. Lula, Carmona, Miguel Macedo aí estão para o demonstrar.
5. De tal maneira estapafúrdia se comportou a Comissão Política do PS que, depois de conceder o testemunho que lhe pertencia de líder da Oposição, assiste agora, de mãos atadas, a isto: quem lidera e quem decide se o Governo cai é o JPP. Melhor prova de incompetência e vazio político nunca se haviam visto neste território autónomo.
Post Scriptum: 1. que as vozes da consciência socialista toquem a rebate: inverta-se o processo: o PS apresenta ainda a tempo uma Moção e recupera a liderança da Oposição. 2. De Lisboa vem a neutralidade ideológica: isso é com eles, PS-M. Aos valores e aos princípios do PS de Mário Soares disse nada. 3. Por unanimidade: “mesmo na noite mais triste, em tempos de solidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!” – Não houve!
Miguel Fonseca