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2,3 milhões de crianças enfrentarão desnutrição aguda este ano no Afeganistão

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Foto Shutterstock

O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Afeganistão, Fran Equiza, alertou hoje para a crise infantil que afeta o país, onde se prevê que 2,3 milhões de crianças enfrentem desnutrição aguda este ano.

"Há milhões de crianças afegãs que acordam com fome e vão para a cama com fome. Não têm água limpa para matar a sede. Nem cobertores macios para dormir. Acostumaram-se demasiado a trabalhar em casa, nas ruas, nos campos, em minas e em lojas. Muitas vivem com medo da violência ou do casamento precoce. Muitas estão sobrecarregadas com o peso da responsabilidade adulta. Muitas tiveram a sua educação roubada -- a sua única esperança de uma vida melhor", denunciou Equiza.

Num 'briefing' à imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque, o representante da UNICEF avaliou que a crise infantil no Afeganistão acabou "esquecida", por se tratar de um país profundamente conturbado, enfrentando catástrofes humanitárias, desastres relacionados ao clima e abusos flagrantes dos direitos humanos.

"É uma crise que está a piorar. Hoje, cerca de 90% dos afegãos estão à beira da pobreza e as crianças suportam o peso disso. Espera-se que 2,3 milhões de crianças enfrentem desnutrição aguda em 2023. 875.000 delas precisam de tratamento para desnutrição aguda severa - uma condição que coloca em risco as suas vidas", alertou.

Além disso, este ano, cerca de 840.000 mulheres grávidas ou que estão a amamentar provavelmente sofrerão de desnutrição aguda, comprometendo a sua capacidade de dar aos seus filhos o melhor começo de vida, indicou ainda Equiza.

Também o facto de o Afeganistão ser um dos países com mais armas do mundo afeta as crianças afegãs, com dados preliminares partilhados pela UNICEF a sugerirem que, entre janeiro e março deste ano, 134 crianças foram mortas ou mutiladas por engenhos explosivos.

"Essa é a realidade do perigo crescente que as crianças afegãs enfrentam enquanto exploram áreas que antes eram inacessíveis devido aos combates. Muitos dos mortos e mutilados são crianças que recolhiam sucata para vender", explicou.

"Porque é isso que a pobreza faz. Compele os pais a enviar os filhos para trabalhar - não porque querem, mas porque precisam", frisou Equiza.

De acordo com a UNICEF, aproximadamente 1,6 milhões de crianças são vítimas de trabalho infantil no Afeganistão.