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O plano dos cucos

Não se trata do “oscarizado” filme de Milos Forman, “Voando sobre um ninho de cucos”, que celebrizou Jack Nicholson e ocorre numa clínica psiquiátrica. Mas tem qualquer coisa.

Lisboa está para construir o seu aeroporto. Atendendo ao substancial aumento do tráfego aéreo, de passageiros e porque as instalações carecem de profunda reformulação. Essa vontade existe, segundo rezam os livros de história, desde 1969, o ano que o homem pousou na Lua. Faz 55 anos.

Ao longo do tempo que passou foi um desfilar de propostas para a concretização da infraestrutura desejada. Locais diversos, pareceres inúmeros, os governos sucediam-se e a decisão voltava sempre atrás e ao ponto de partida. Recentemente foi ver um fogoso ex-ministro apresentar solitariamente uma resposta que parecia final, imediatamente chumbada pelo chefe do executivo, numa cena trapalhona de inacreditável falta de coesão do governo.

Tal como o Santo Graal não estará na descoberta mas na demanda, aqui também parece que o objectivo são os estudos, que vão rendendo milhares ao longo do fastidioso percurso, e não a apresentação de uma solução.

Agora voltam a analisar, 9 possibilidades diferentes de localização, num campeonato que mais parece ter como finalidade ver quem encontra um aeroporto que, em vez de ser em Lisboa, fique o mais longe possível da capital.

O cuco é uma ave migratória, frequente em Portugal, de cor acinzentada como a generalidade dos aviões, destacando-se pela particularidade de não fazer ninhos e usar os dos outros. Sendo que, tal como no filme, toda a envolvência vai parecendo oriunda de uma qualquer ala psiquiátrica, o propósito deve ser esse, usar os aeroportos dos outros. O plano dos cucos.