Desporto

Movimento ‘Salvar Marítimo’ “está encerrado”

Hélder Santos, um dos sócios que alavancou o Movimento ‘Salvar Marítimo’ rejeita a data em que a Assembleia Geral extraordinária foi marcada

None

A Assembleia Geral extraordinária do CS Marítimo, requerida por um grupo de sócios, para debater o momento do clube, votar a destituição da direcção e marcar eleições, deverá acontecer em Maio do próximo ano. Essa foi a decisão da Mesa da Assembleia Geral, presidida por José Augusto Araújo, que esteve reunida, ontem, com os três sócios que promoveram a iniciativa, Abel Spínola, Egídio Carreira e Hélder Santos.

Movimento 'Salvar Marítimo' demarca-se do passado e pede respostas a Rui Fontes

Grupo de sócios verde-rubros quer destituir o actual dirigente verde-rubro, que foi eleito há menos de um ano

Rúben Santos , 22 Setembro 2022 - 21:45

O Movimento ‘Salvar Marítimo’ pretendia que a Assembleia Geral fosse marcada para 28 de Novembro e as eleições a 12 ou 15 de Dezembro, mas a Mesa considerou que não havia condições para isso. O presidente da Assembleia Geral entende que uma reunião com a ordem de trabalhos pretendida deve ser muito participada. Ora, Hélder Santos, em entrevista à TSF-Madeira, revela que: “Nenhum de nós concordou com a data, que rejeitamos linearmente.”

O sócio lamenta que José Augusto Araújo não tenha legitimado o Movimento. “O José Augusto nunca nos deu muita hipótese e, agora, de uma maneira um pouco ridícula, marca uma Assembleia Geral para daqui a seis meses. Não tem qualquer cabimento. Eu saí da reunião quase em gargalhada, sem entender como é que isto é possível.”

Depois de rejeitar a data marcada para a Assembleia Geral, Hélder Santos acredita que “o Movimento já pouco ou nada pode fazer.” Queixa-se de ter sofrido ameaças e de ser alvo de comentários que o deixaram magoado, fazendo com que não se sinta bem no seu “santuário”, o Estádio do Marítimo. Por isso: “O nosso Movimento não vai fazer mais nada. O Movimento, para mim, está encerrado.”

Para mim, isto está encerrado. Não vou esperar por Maio, não vou esperar por Junho. É uma página negra do meu maritimismo. Vou esquecer o Marítimo até daqui a seis meses. A minha paixão pelo Marítimo é enorme, mas este não é o Marítimo que eu quero. Hélder Santos

“Isto vai acabar mal”

Hélder Santos lembra que o Movimento ‘Salvar Marítimo’ surgiu, precisamente, para salvar o Marítimo, para que “as pessoas acordassem deste pesadelo o mais depressa possível.” Reitera não querer “mau ambiente no clube, mas a verdade é que a actual direcção é incapaz.” Segundo o sócio, o problema parte da tentativa de total ruptura com o passado. “A direcção quis mudar tudo, mas havia gente muito competente no Marítimo”, afirma, para acrescentar que: “Quando se chega e se tenta mudar tudo em um ano, isso vai trazer problemas.”

Aliás, lembra que “o passado não foi uma desgraça”, que a anterior direcção de Carlos Pereira “deixou 56 milhões de euros de património”, vitórias e recordes a nível de espectadores. Admite que a relação de Carlos Pereira com os sócios era “péssima”, mas essa ligação é, agora, o único ponto positivo de uma nova direcção "sem rumo, que mentiu desde o primeiro dia.” A actual situação do clube é, para Hélder Santos, “um descalabro total”.

Acusa Rui Fontes de manipulação “à Bruno de Carvalho”, e considera ser “uma coisa muito estranha que os sócios do Marítimo se mantenham impávidos e serenos à espera de um milagre.”

A verdade é que os sócios estiveram sempre presentes. Não foi pelos sócios que o clube caiu nesta desgraça, foi pela incompetência que esta direcção tem revelado, que é algo que já esperávamos. Como sócios atentos, o que aconteceu há 30 anos está-se a repetir. Não percebemos como é que a massa associativa não reage mais rápido, principalmente as claques que falam em grande maritimism. Acho estranho assumirem a mesma posição da direcção. Penso que isto não vai acabar bem. Hélder Santos

Hélder Santos acredita que, se o Marítimo descer de divisão, “vão ser as próprias claques a pôr o Dr. Rui Fontes fora.” Em vez de “esperar o milagre”, defende que o clube deve “levar um abanão agora, quando as coisas ainda se podem resolver”, porque “desportivamente tem sido um descalabro.”

O Dr. José Augusto Araújo é quem deve dirigir o Marítimo agora, e deve responsabilizar-se por aquilo que está a acontecer ao clube. Aquilo que está à vista de todos é o desnorte. Eu disse ao presidente da Assembleia Geral: ‘Está nas tuas mãos, vais ser o responsável por isto.” Perguntei por que razão não pega na direcção, fica com os competentes e deixa os incompetentes. Sinto que há uma insegurança e que José Augusto vai ficar com o menino nas mãos. Hélder Santos