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Última edição do jornal Mundo Português nas bancas após 50 anos

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A última edição impressa do jornal "Mundo Português" foi hoje publicada, 2.101 edições e 51 anos após o primeiro número sair para a rua com uma reportagem sobre "o desejo irresistível de muitos portugueses" emigrarem.

Inicialmente chamado de "O Emigrante", o jornal direcionado para as comunidades portuguesas foi para as bancas a 12 de janeiro de 1970, sob o lema "agir servindo".

Assistiu à revolução dos cravos e à chegada do digital, mas a crise na imprensa, agravada pela pandemia de covid-19, obrigou a um virar da última página.

No editorial desta última edição impressa, a diretora do jornal, Maria Morais, escreve sobre a dificuldades destes últimos tempos: "Enquanto o digital prometia uma grande difusão, quase sem custos, a imprensa convencional debatia-se permanentemente com uma estrutura de custos que não parava de crescer".

"A publicidade refugiou-se igualmente no digital e os jornais viram-se à beira do sufoco por falta de verbas verdadeiramente indispensáveis à sua sobrevivência. Estava a ser criada a tempestade perfeita", refere Maria Morais.

Apesar do esforço em manter a publicação nas bancas, e após a crise instalada pela covid-19, Maria Morais, que teve de assumir a administração da empresa, teve de optar pelo fecho do título, pelo menos para já.

A diretora deixa no ar a esperança de que o jornal volte a ser publicado: "Quem sabe um dia o Mundo Português não poderá voltar, remoçado, com as forças temperadas num outro contexto e sobretudo numa outra realidade (...)".

O "Mundo Português", então "O Emigrante", foi criado pelo industrial gráfico Valentim Morais e o padre Vítor Melícias, amigos de longa data e que se aperceberam que "a emigração era uma realidade incontornável e sobretudo tomaram consciência de que era preciso fazer qualquer coisa que despertasse as mentalidades para esta realidade na sociedade portuguesa de então", segundo se lê num dossiê que o semanário dedica à sua história.

No primeiro editorial deste órgão de comunicação social direcionado para as comunidades o mesmo era apresentado como pretendendo "ser um jornal de ação".

"Um jornal que seja vida, que seja diálogo de homens em luta pelo progresso de todo o homem", prometia.