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Presidente da Venezuela aguarda resposta da Igreja Católica sobre Constituinte

Foto EPA
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O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recordou no sábado que o seu Governo espera há dias por uma resposta da Conferência Episcopal Venezuelana ao convite para participar na Assembleia Nacional Constituinte.

“A Conferência Episcopal já respondeu? Não respondeu ao telefone? Silêncio durante a tarde, a Conferência Episcopal não responde ao telefonema, incumprindo as ordens do Papa Francisco”, disse Maduro em público, dirigindo-se ao presidente da comissão presidencial para a Constituinte e também ministro da Educação, Elías Jaua.

Elías Jaua, que garantiu não ter obtido ainda qualquer resposta, afirmou recentemente que na passada terça-feira, dia 09, enviou uma carta à Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) em que pedia para ser recebido pela hierarquia eclesiástica para explicar os motivos e objetivos da Assembleia Constituinte convocada por Nicolás Maduro.

O pedido foi formulado depois de, segundo o Governo, os bispos terem declinado um convite para irem ao Palácio de Miraflores, feito na semana passada.

O Governo sustenta que o papa Francisco pediu aos religiosos que dirigem a Igreja católica do seu país para serem “pontes de diálogo” entre os venezuelanos.

Poucos dias depois de Maduro ter convocado os venezuelanos para uma Assembleia Constituinte para, segundo justificou, preservar a paz e a estabilidade da República, a CEV emitiu um comunicado, instando o Presidente a respeitar a Consituição em vez de a reformar.

“A proposta presidencial de uma Assembleia Constituinte sectorizada para a reforma da Constituição é desnecessária e resulta perigosa para a democracia venezuelana, para o desenvolvimento humano integral e para a paz social”, observou, na altura, a CEV.

A Venezuela encontra-se mergulhada numa grave crise política que opõe o Presidente do país, Nicolás Maduro, ao parlamento, dominado pela oposição.

Os protestos nas ruas intensificaram-se no princípio de abril, dos quais muitos resvalaram em violentos confrontos que resultaram em 39 mortos e em centenas de feridos e de detidos, segundo o mais recente balanço oficial.

As manifestações agravaram-se depois de Maduro ter anunciado, no início de maio, o arranque do processo de criação de uma assembleia constituinte para reformar a Constituição, como a única forma de garantir a paz.

Esta decisão foi vista pela oposição como um golpe de Estado e uma forma de Maduro conseguir perpetuar-se no poder.

Na quarta-feira, o parlamento aprovou um acordo sobre a “inconstitucionalidade e nulidade” do decreto presidencial que convoca a formação de uma Assembleia Constituinte.

A aliança da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirmou publicamente que irá participar nas reuniões da comissão, mas que irá continuar, ao mesmo tempo, nas ruas.