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Constrangimentos necessários

Uma obra, nomeadamente em áreas essenciais, é sempre algo de positivo, necessário e até desejável. No domínio teórico, não haveria nada a acrescentar à afirmação anterior. Na prática, as coisas nem sempre correspondem a esta perceção.

Uma obra traz sempre constrangimentos, tem impacto na vida das pessoas e produz insatisfação e as consequentes queixas.

Quem tem de gerir as obras públicas não raras vezes é confrontado, não sem surpresa, com o facto de que as obras, na sua fase de execução, produzem uma perceção bastante negativa, a qual aumenta quando falamos de intervenções e investimentos que, por exemplo, têm impacto na circulação viária ou que levam a cortes de água ou eletricidade.

Gerir o descontentamento nunca é fácil, mas urge perceber que os constrangimentos são, muitas vezes, um mal menor porque em causa estão valores muito mais altos e obras que não podem mesmo deixar de ser feitas, sob pena de, mais tarde, os problemas serem maiores e mais recorrentes.

Neste domínio inserem-se as obras de combate às perdas de água. É humanamente e tecnicamente impossível intervir na rede sem cortes de água. E por muito impacto que tenham, este será sempre menor do que manter redes obsoletas, com problemas que se repetem, inclusive cortes por avarias, e com perdas que são incompatíveis com a gestão criteriosa de um bem cada vez mais escasso.

Como tudo na vida, há problemas que não podem deixar de ser ultrapassados e há constrangimentos que são necessários.

A área ambiental é uma prioridade e as intervenções que a mesma suscita e exige são de carácter obrigatório. Não podemos nem gerir o presente, nem acautelar o futuro sem investimentos criteriosos nesta área. No final, um constrangimento diário, por um período de tempo, será sempre apenas isso: uma fase transitória para atingir um patamar que urge garantir. Como sociedade, devemos entender isto, porque o planeta, os recursos naturais e o ambiente já não aguentam uma gestão apenas com base nos nossos interesses imediatos, ou na nossa incapacidade de gerir alguns constrangimentos necessários.