Brasil na rua contra Michel Temer

Brasil /
19 Mai 2017 / 09:20 H.

Protestos contra o Presidente do Brasil, Michel Temer, decorreram ontem à noite em diversas cidades do Brasil, na sequência da divulgação de gravações comprometedoras de corrupção, que abalaram o Governo do país.

No Rio e Janeiro, a manifestação ocorreu perto da Igreja da Candelária, na região central.

O protesto começou pacífico, mas uma altercação levou ao lançamento de granadas de gás lacrimogéneo por parte da polícia, com reação violenta por parte de alguns manifestantes.

Imagens das redes e televisão brasileira mostravam que no local estava instalada uma confusão generalizada.

Em São Paulo, dois grupos dividiam-se ao final da tarde (início da madrugada em Lisboa) na Avenida Paulista, principal local de atos políticos na cidade, reunindo centenas de pessoas.

A polícia informou que não divulgará projeções de quantas pessoas fazem parte deste protesto em São Paulo, que estava ao início da madrugada de hoje em Portugal a decorrer de forma pacífica.

Também em Brasilia, capital do país, teve lugar uma manifestação que reuniu cerca de 1.500 pessoas, segundo estimativas da polícia militar.

A “tropa de choque” formou um cordão para evitar a aproximação de menifestantes ao Palácio do Planalto, sede do Governo brasileiro.

Nas cidades de Curitiba, Salvador, Fortaleza e Porto Alegre também há registo de protestos.

PR apanhado a pedir continuação de suborno

O juiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, divulgou ontem os áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, da JBS, referente a uma conversa com Michel Temer, em que falavam sobre o pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha.

“Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo o que tinha de alguma pendência. (...) E ele [Eduardo Cunha] foi firme em cima: cobrou. Acelerei o passo e tirei da fila”, numa referência ao pagamento do suborno, afirmou o empresário.

Joesley Batista recordou as ligações feitas pelo “negócio dos vazamentos” (fugas de informação) a Eduardo Cunha, antigo presidente do Congresso, e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima. “Volta e meia”, essas fugas citavam “alguma coisa tangenciando a nós”, acrescentou o empresário.

“Eu estou lá me defendendo (...) o que eu mais ou menos consegui fazer até agora. Eu estou de bem com o Eduardo [Cunha]”, disse o empresário, ao que o Presidente o interrompeu: “Tem que manter isso, viu”.

Esta conversa que indicia um suborno aos dois políticos gerou a abertura de um processo ao Presidente brasileiro, que se tornou ontem alvo de um inquérito do STF.

Michel Temer veio a público na tarde de ontem para fazer uma declaração pública e negou que tenha autorizado o pagamento de suborno em troca do silêncio de Eduardo Cunha. O Presidente disse também que não tem nenhuma intenção de renunciar ao cargo de Presidente da República.

No entanto, outras infrações além da discussão sobre o suposto pagamento feito ao ex-deputado Eduardo Cunha aparecem na gravação.

Num outro trecho, Joesley Batista diz a Michel Temer que o grupo J&F (holding da qual a JBS faz parte) pagava a um procurador da República em investigações contra o grupo que decorrem na Justiça brasileira.

Segundo ministro brasileiro renuncia após escândalo que envolve Presidente Temer

O ministro da Cultura do Brasil, Roberto Freire, apresentou ontem a sua demissão, horas depois de o ministro das Cidades, Bruno Araújo, abandonar o Governo em reação às acusações feitas ao Presidente.

Numa carta dirigida a Temer, Freire assegurou que “tendo em vista os últimos acontecimentos e a instabilidade política gerada pelos fatos que envolvem diretamente a Presidência da República”, decidiu, com “caráter irrevogável, renunciar ao cargo de ministro de Estado da Cultura”.

Segundo o texto, Freire voltará a ocupar o seu mandato na câmara dos deputados “para ajudar o país a buscar um mínimo de estabilidade política que nos permita avançar em reformas fundamentais para o desenvolvimento da economia, geração de emprego e renda e garantia dos direitos fundamentais para toda a população”.

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