“Sou alérgico às redes sociais”

19 Mar 2017 / 10:34 H.

‘Literatura e Web’ foi a temática central deste Festival Literário da Madeira que terminou ao fim da tarde de hoje, no Teatro Municipal Baltazar Dias. Nesta edição, ambas caminharam de mãos dadas, mas são ‘inimigas’, uma espécie de amor/ódio, tendo em conta que a Internet veio ‘roubar’ leitores à literatura. Miguel Sousa Tavares disse ser “alérgico” às redes sociais, nomeadamente ao Facebook, porque, na sua óptica, quem entra já não sai. E, baseando-se no que disse Adam Johnson sobre a nova realidade das pessoas, dominada pelos Iphones, criticou, em jeito de brincadeira, o facto de estes acabarem as frases devido à sua forma de escrita inteligente. Uma espécie de ‘vida própria’ que os telemóveis têm que o levou a perguntar: “Se isto é inteligente, eu sou o estúpido?”

Mesmo assim, e apesar desta nova realidade, acredita que irão sempre existir leitores, “menos”, é claro, mas “melhores”. Tendo isto em conta, Miguel Sousa Tavares recordou que “a morte anunciada de qualquer forma de arte nunca se cumpriu”. E isso não irá acontecer com os livros, como não aconteceu com tantas outras coisas que também tiveram uma “morte anunciada”. Isto numa conversa animada e moderada pelo jornalista Paulo Moura que deliciou o público que, mais uma vez, voltou a encher o Baltazar Dias. Deliciado estava também Duarte TemTem, da organização, que se mostrou satisfeito com a sétima edição deste evento cultural, tendo traçado um “balanço positivo”, apesar de este ano ter sido atípico devido à ausência da Nobel da Literatura, a jornalista e escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, que não esteve presente no Festival Literário da Madeira devido ao condicionamento do Aeroporto da Madeira por causa do vento.

Ainda sem números para avançar, acredita que apesar de todos os contratempos, esta edição voltou a bater o recorde de participantes, tendo destacado o facto de as pessoas terem aderido aos eventos que se realizaram fora do Funchal, isto uma lógica de descentralizar o evento.

Em relação aos escritores e jornalistas, nomeadamente moderadores, referiu que ainda não há nomes para avançar, apesar de existir a forte possibilidade de, na próxima edição, a Nobel da Literatura poder vir a subir ao palco do Teatro Municipal Baltazar Dias.

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