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Creche de Lisboa suspeita de alegados maus-tratos diz estar a colaborar com a justiça

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Foto ShutterStock

A creche Academia Sonhar e Crescer, na freguesia lisboeta de Carnide, acusada de alegados maus-tratos a crianças, disse hoje estar a colaborar com a justiça e reafirmou o seu "compromisso inabalável com a proteção, segurança e desenvolvimento das crianças".

Num comunicado enviado à agência Lusa, a instituição afirma que a creche "sempre teve e continua a ter como prioridade absoluta o bem-estar, a segurança e o desenvolvimento feliz das crianças" que lhe "são confiadas".

Na sequência das notícias relativas a alegadas situações ocorridas na creche Academia Sonhar e Crescer, o organismo revela que, desde o primeiro momento, respondeu "prontamente a todas as solicitações das entidades competentes, disponibilizando informação, documentação e total acesso aos procedimentos internos".

A instituição dá ainda conta de que "já foi formalmente solicitado ao Ministério Público que a audição decorra com a maior brevidade possível", lembrando que a creche e as suas colaboradoras "se encontram totalmente disponíveis para colaborar com a Justiça e contribuir para o completo esclarecimento da verdade dos factos".

"Vivemos este momento com consciência, mas também com profunda sensibilidade. Reconhecemos o impacto emocional desta situação nas famílias, especialmente nos pais que continuam a confiar-nos diariamente os seus filhos", pode ler-se no comunicado,

Segundo a instituição, assim que forem "reunidas todas as condições necessárias para garantir a segurança e tranquilidade das crianças, das famílias e de toda a equipa", a instituição pretende retomar a sua atividade.

No dia 09 de fevereiro, pais e familiares de crianças que frequentam a creche manifestaram-se à porta da instituição, alertando para a existência de indícios de maus-tratos físicos e psicológicos aos filhos, e impediram a entrada dos menores na creche.

Francisco Cavaneiro, pai de um menino que está prestes a fazer 2 anos e que terá, alegadamente, sido agredido por uma funcionária da creche, sofrendo um traumatismo craniano, foi um dos participantes na manifestação frente à instituição.

"Já fizemos uma participação na PSP, ao Departamento de Investigação e Ação Penal, Comissão de Proteção de Jovens e Crianças, e agora vamos para a investigação criminal", disse na ocasião Francisco Cavaneiro.

De acordo com este pai, o filho entrou no estabelecimento, que funciona até aos 3 anos, com "seis, sete meses" e nunca, até agora, tinha desconfiado do que se podia passar entre portas.

"O meu filho foi alegadamente agredido, viemos a confirmar pelo testemunho de uma ex-funcionaria que nos contou tudo", disse à Lusa, explicando que na semana anterior a criança teve de ir ao Hospital da Luz, onde lhe terá sido diagnosticado um traumatismo craniano.

De acordo com Francisco, foi depois deste episodio que os pais se juntaram, com queixas de vários filhos com "arranhões nas costas, arranhões na cabeça, nódoas negras e assaduras".

Uma outra mãe, Sofia Guedes, contou à Lusa que a sua filha apenas esteve "cerca de um mês na creche, em 2022", quando ainda se vivia sob a pandemia covid-19 e não foi além do período de adaptação.

"Chegou a casa com a orelha pisada. Questionámos a escola e disseram que tinha sido outra criança. Na altura, não conseguíamos falar com outros pais, mas mandámos um email a apresentar queixa", disse Sofia Guedes.

"Veio tudo à tona. Temos uma ex-funcionaria do nosso lado que contou o que aconteceu" na creche, explicou.

Durante o protesto, uma das funcionárias da creche, ao tentar aceder ao local de trabalho, terá sido agredida por uma das manifestantes, que foi de imediato detida, de acordo com uma nota emitida então pela PSP.