Estudo revela que ecossistemas marinhos mudam mais depressa

18 Out 2019 / 00:19 H.

O elenco de espécies nos ecossistemas marinhos varia mais depressa do que nos terrestres, segundo um estudo internacional publicado ontem na revista Science, em que se analisaram dados das últimas décadas.

A investigadora portuguesa Maria Dornelas, da universidade escocesa de St. Andrews, disse à agência Lusa que o estudo vem revelar que “a mudança na composição das espécies é muito rápida” e que “quase um terço das espécies” de um determinado ecossistema é substituída por outras no espaço de uma década.

Embora os números globais do número de espécies diminuam, isso não se reflete necessariamente a nível local porque “são escalas diferentes, em que há espécies e locais suficientes para haver uma redistribuição de espécies”.

“A grande questão é ‘Porquê?’”, disse a investigadora, que espera que o estudo sirva de base e encoraje investigações futuras quanto aos motivos.

“Por enquanto, só temos hipóteses. Os ‘culpados habituais’, como as mudanças climáticas globais ou a exploração dos ecossistemas” são algumas que podem ser exploradas, indicou.

Quanto à maior volatilidade dos ecossistemas marinhos, particularmente nos climas tropicais, à partida “é mais fácil o trânsito das espécies, há menos fronteiras”.

A alteração da temperatura é um fator a que as espécies marinhas “tendem a ser mais sensíveis” porque não controlam a sua temperatura interna e não existem micro-refúgios. Um animal terrestre que esteja ao sol pode procurar uma sombra”, ilustrou.

Para este estudo, uma equipa internacional de cientistas liderada por St. Andrews, pelo Centro Alemão para Investigação Integrada da Biodiversidade e pela universidade de Halle-Wittenberg olhou para os dados recolhidos no último século, sobretudo os últimos 40-50 anos, em 50 mil locais em todo o mundo, com “o trabalho coletivo de centenas de investigadores”.

Maria Dornelas referiu que casos catastróficos para a biodiversidade como os incêndios da Amazónia concentram muito a atenção, mas por todo o mundo há ecossistemas que recuperam, perdendo espécies que são substituídas, enquanto as que saíram de determinado ecossistema podem prosperar em outra zona.

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