“Pô-los no devido lugar”
Dizer que “duas ou três famílias” mandam na Madeira é uma acusação demasiado séria para ficar reduzida a uma frase de comício. Se o JPP sabe quem são, deve dizê-lo. Se sabe como mandam, deve explicá-lo. E se existem “monopólios” protegidos pelo poder político, deve apresentar as provas. Caso contrário, o discurso corre o risco de ser apenas a velha fórmula populista: criar um inimigo poderoso, mas convenientemente indefinido, para se apresentar depois como o partido que virá “pôr tudo no devido lugar”.
A política não pode funcionar à base de suspeições e de ameaças vagas. “Pô-los no devido lugar” pode incendiar uma plateia, mas não é um programa de governo. Um governo sério não promete ajustar contas com famílias: regula mercados, combate desequilíbrios, garante concorrência e responsabiliza quem abusa do poder — seja empresário, seja político.
Se há quem mande mais do que devia, o JPP tem uma obrigação simples: dizer quem, como e porquê. Porque insinuar é fácil. Difícil é provar. E mais difícil ainda é governar depois de prometer que se vai pôr meio mundo “no sítio”. Será que o JPP é órfão?
J. A. Teixeira