Autoridades negam estar a impedir regresso de Corina Machado à Venezuela
O principal negociador do Governo da Venezuela no diálogo com a oposição, Jorge Rodríguez, negou que as autoridades estejam a impedir o regresso María Corina Machado, após denúncias feitas pela equipa da líder da oposição.
"Nem pensar, por amor de Deus", respondeu, quando questionado por jornalistas na sexta-feira, Jorge Rodríguez, que é também presidente do parlamento e irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez.
Segundo a oposição venezuelana, Corina Machado, terá tentado sete vezes, sem sucesso, regressar ao seu país desde que em Dezembro - após ter permanecido cerca de um ano na clandestinidade para evitar ser detida -, saiu da Venezuela para receber, na Noruega, o Prémio Nobel da Paz.
Uma das tentativas mais recentes ocorreu após o duplo sismo que assolou a Venezuela no passado dia 24 de junho.
Em 29 de junho, a líder da oposição acusou o Governo venezuelano de ter fechado o espaço aéreo comercial para impedir o seu regresso ao país a partir da Cidade do Panamá, quando planeava viajar para a Venezuela para apoiar as vítimas dos terramotos.
Na quinta-feira, centenas de pessoas concentraram-se em Caracas para exigir a Delcy Rodríguez, que permita o regresso de Corina Machado, liberte os presos políticos e convoque eleições presidenciais.
Entre os manifestantes estava o luso-venezuelano e ex-preso político William Dávila, que denunciou que a líder opositora está a ser vítima de violação dos seus direitos.
"É uma concentração de solidariedade com María Corina Machado que é vítima de uma violação flagrante do seu direito humano à livre circulação e, ao mesmo tempo, de entrar no seu país", disse à Lusa, questionando "quais as razões legais que existem para impedir a sua presença no seu país".
"Nenhuma! Apenas a arbitrariedade política, a perseguição, a impedem de estar efetivamente na Venezuela. É por isso que saímos hoje para uma manifestação em sinal de solidariedade", frisou.
William Dávila acusou de cinismo a presidente interina da Venezuela, afirmando que esta tenta enganar a comunidade internacional.
"É aí que se contrasta o cinismo do discurso de Delcy Rodríguez ontem [quarta-feira] na ONU, quando vemos que não deixam María Corina entrar, simplesmente por razões políticas. Então, em que consiste a normalização e o apelo à paz, à unidade e à união de todo o povo venezuelano que faz, se não deixam entrar a principal e única líder da oposição? Por isso, condenamos e repudiamos essa atitude do regime", disse.
Na quarta-feira, Delcy Rodríguez prometeu, no primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU desde que assumiu o poder, realizar eleições e afirmou que o povo do país determinará o "momento certo".
A oposição acusa o regime de estar a ponderar convocar eleições presidenciais apenas para 2028 e insiste que deveriam ser feitas já em 2027.