EUA anunciam extensão de trégua comercial com China até 10 de Janeiro
Os Estados Unidos e a China decidiram quarta-feira prolongar a trégua comercial bilateral até 10 de janeiro de 2027, anunciou o secretário do Tesouro norte-americano, enquanto o Presidente Donald Trump recebia o homólogo Xi Jinping em Washington.
"Concordámos hoje em prolongar (...) a distensão económica entre os nossos dois países, que deveria terminar a 10 de novembro (...), para nos dar mais tempo para ver o que podemos fazer no plano económico", declarou o secretário Scott Bessent, em entrevista à estação Fox News.
Bessent reuniu-se hoje em Washington com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng.
"Mantivemos discussões substanciais sobre a relação económica entre os EUA e a China", antes do encontro dos presidentes dos dois países, afirmou no X.
"As nossas conversações continuaram focadas em garantir compromissos significativos que protejam os trabalhadores, os agricultores e as empresas dos EUA, promovendo ao mesmo tempo os interesses económicos e de segurança nacional do país", adiantou.
Xi Jinping chegou hoje a Washington para a sua primeira visita aos Estados Unidos em mais de uma década.
Num gesto raro para um Presidente norte-americano, Trump foi até à pista na Base Aérea Andrews, nos arredores de Washington, para saudar o homólogo, em vez de esperar que o convidado chegasse à Casa Branca, na sua primeira visita de Estado à capital.
Empenhado em homenagear o líder chinês, o Presidente norte-americano e a primeira-dama, Melania Trump, participaram na cerimónia de chegada de Xi e da sua mulher, Peng Liyuan, no início de uma visita de três dias que promete ser repleta de pompa, mesmo para os padrões da Casa Branca.
A visita de Estado --- que inclui um jantar oficial na Casa Branca na quinta-feira --- pretende retribuir a grandiosidade cerimonial que marcou a visita de Trump à China, em maio.
A demonstração de pompa ocorre num momento de elevada tensão entre os dois rivais geopolíticos, motivada por questões como o comércio, a inteligência artificial, o confronto de Trump com o Irão e as ambições da China em relação a Taiwan.
Além de procurar manter a "estabilidade estratégica" entre os dois países, Trump tem tecido muitos elogios a Xi, chamando-lhe "grande líder" e descrevendo uma relação calorosa com aquele a quem chama amigo --- enquanto evita confrontar o Presidente chinês em questões sensíveis, apesar de pressões nesse sentido do seu próprio partido.
O senador republicano Roger Wicker, presidente da Comissão dos Serviços Armados do Senado, criticou a "receção sumptuosa" a Xi, questionando "os objetivos da enorme expansão militar da China ou o claro apoio chinês ao Irão".
Trump não deveria ter convidado o líder chinês, "dadas todas as questões preocupantes que temos em relação ao Presidente Xi e ao Partido Comunista Chinês", defendeu Wicker num discurso no Senado, na terça-feira.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, argumentou que Washington e Pequim precisam de interagir aos mais altos níveis, uma vez que são "as duas maiores economias do mundo" e "provavelmente as duas maiores potências militares do planeta".
"A ideia de não interagirmos com eles aos mais altos níveis é irresponsável. É um disparate. Temos de o fazer", disse hoje Rubio aos jornalistas em Nova Iorque.
A cerimónia de receção de Xi no aeroporto será seguida, na quinta-feira, por mais formalidades, incluindo uma cerimónia de chegada à Casa Branca e uma revista às tropas.
Espera-se que os dois líderes se debrucem à porta fechada sobre questões como o comércio e a inteligência artificial (IA), antes de um jantar de gala --- que contará com a presença de líderes do setor tecnológico, como Jensen Huang (Nvidia) e Elon Musk (SpaceX).
Na sexta-feira, Xi e Peng regressarão à Casa Branca para um chá com o casal Trump, antes de os acompanharem numa visita aos Arquivos Nacionais, em Washington. A Casa Branca informou que vão examinar documentos históricos que sublinham a relação entre os dois países.