DNOTICIAS.PT
Madeira

Enfermeiros dos Cuidados Intensivos apresentam novo pedido de escusa

Em causa está a sobrecarga dos profissionais decorrente do que consideram ser uma dotação abaixo das reais necessidades

None
Foto Arquivo

No passado mês de Julho, os mesmos enfermeiros tomaram uma posição semelhante. Desde então, dizem, não houve melhorias para atalhar os problemas apontados.

Pelo menos 60 enfermeiros da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP) do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) voltaram a apresentar um pedido de escusa de responsabilidade devido ao que dizem ser a falta de profissionais que garantam uma dotação segura para prestação dos cuidados aos doentes de forma adequada.

Em Julho último, já tinha sido apresentado um outro pedido de escusa colectivo, apontando as mesmas carências que agora são elencadas. 

Segundo relatos feitos ao DIÁRIO por elementos daquele serviço, os pedidos começaram a ser entregues no dia de ontem ao Conselho de Administração do SESARAM e à tutela, com conhecimento à Ordem dos Enfermeiros. Conforme apontam alguns profissionais, a UCIP tem funcionado, em alguns turnos, com apenas nove enfermeiros, quando deveriam estar 12, sendo que um ou dois dos profissionais presentes estarão a realizar trabalho extraordinário, situação que, alertam, aumenta o risco de erro e pode comprometer a segurança dos doentes.

O DIÁRIO contactou, esta manhã, a Secção Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros, que confirmou que até ao momento seis dezenas dos 65 enfermeiros daquele serviço que funciona no Hospital Dr. Nélio Mendonça já tinham apresentado o seu pedido de escusa de responsabilidade, de forma individualizada. 

Teresa Espírito Santo explicou que a situação na UCIP já é do conhecimento das entidades responsáveis pela Saúde na Região, notando que desde o passado mês de Julho a Ordem reuniu com o Conselho de Administração do SESARAM, a Direcção de Enfermagem e a Secretaria Regional de Saúde e Protecção Civil, no sentido de serem encontradas soluções que minimizassem os problemas daquele serviço.

Nessas reuniões, reforça, foram identificadas as necessidades do serviço e apresentadas propostas para melhorar as dotações, mas a responsável sublinha que a situação se agravou durante o mês de Agosto, nomeadamente devido ao período de férias e a outras ausências de profissionais.

A Ordem diz ter, entretanto, recebido a garantia de que novos enfermeiros começarão a exercer funções no SESARAM já no próximo mês. Segundo Teresa Espírito Santo, foram chamados todos os profissionais que permaneciam na bolsa de recrutamento, embora apenas cerca de 50 devam efectivamente ingressar no Serviço de Saúde, uma vez que os restantes terão recusado por já se encontrarem empregados. A responsável ressalva, contudo, que estes profissionais terão de ser distribuídos por diferentes serviços, uma vez que “não é só o serviço de Medicina Intensiva que está com problemas de dotações”.

Perante as necessidades existentes, a Ordem volta a defender um plano faseado de recrutamento de enfermeiros, incluindo para a Medicina Intensiva, reconhecendo que não será possível integrar simultaneamente todos os profissionais necessários. Teresa Espírito Santo lembra que outros serviços também já sinalizaram problemas de dotação e que a expansão de respostas, como a hospitalização domiciliária, exige igualmente recursos, obrigando a uma gestão que tenha em conta não apenas o número de enfermeiros, mas também a sua experiência e os pedidos de transferência entre serviços.