Zelensky considera vergonhoso o tiroteio entre dois ramos dos serviços secretos ucranianos
O Presidente ucraniano classificou hoje como uma "situação absolutamente vergonhosa" o tiroteio entre duas unidades dos serviços secretos ucranianos em Kiev e anunciou uma investigação para apurar os pormenores, bem como investigações internas das respetivas forças envolvidas.
O tiroteio que ocorreu hoje de manhã envolveu o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e os serviços secretos militares ucranianos (GUR) durante uma investigação sobre um alegado plano terrorista contra o comandante adjunto do Corpo de Voluntários Russos - que luta do lado da Ucrânia -, Stepan Kaplunov.
"No que diz respeito à situação absolutamente vergonhosa que ocorreu hoje em Kiev entre algumas unidades da SBU e do GUR. Falámos com o Procurador-Geral, Ruslan Kravchenko, e o Gabinete Estatal de Investigações irão apurar todos os pormenores: serão verificados todos os depoimentos e declarações dos envolvidos neste caso, analisando toda a situação passo a passo", afirmou Volodymyr Zelensky na rede social Telegram.
O líder ucraniano prometeu que os envolvidos serão responsabilizados e que serão tomadas "decisões disciplinares por parte dos dirigentes dos serviços secretos relativamente aos envolvidos" no tiroteio.
"Deverão ser realizadas investigações internas em ambos os serviços", detalhou Zelensky.
"Aqui, na Ucrânia, só é permitido disparar contra os ocupantes russos para defender a Ucrânia. Nenhum outro tiroteio será jamais considerado pelo nosso Estado como algo que alguém tenha permissão para fazer", acrescentou o chefe de Estado.
Segundo o jornal Kyiv Independent, o tiroteio ocorreu pela manhã durante uma investigação sobre um alegado plano terrorista contra Stepan Kaplunov.
Kaplunov teria sido alegadamente raptado quando se deslocou até Kiev para as comemorações da Independência da Ucrânia, a 24 de agosto, por "indivíduos desconhecidos no pátio da sua casa", escreveu o Corpo de Voluntários Russos no Telegram.
De acordo com a Procuradoria-Geral da Ucrânia, os agentes do SBU foram atacados por "uma das unidades das Forças de Defesa da Ucrânia" enquanto conduziam uma investigação.
"Durante as ações de investigação no âmbito do processo relativo ao ato terrorista do [Serviço Federal de Segurança russo] FSB da Federação Russa, ocorreu um ataque armado contra agentes da SBU", indicou a mesma fonte, numa publicação também na plataforma Telegram.
O conselheiro presidencial ucraniano, Dmytro Lytvyn, confirmou que as duas unidades envolvidas foram de facto a SBU e o GUR, segundo o Kyiv Independent, acrescentando que o Presidente Zelensky exigiu esclarecimentos aos líderes dos respetivos serviços secretos.
O advogado que representa Kaplunov, Taras Vorovski, terá dito em declarações à televisão ucraniana que pelo menos três membros do GUR ficaram feridos, dois deles com gravidade.
"Um foi alvejado na perna e teve uma artéria cortada, ficou a sangrar em abundância. Encontra-se em estado muito grave num centro de saúde. O segundo também se encontra em estado grave no hospital. O terceiro tem ferimentos mais ligeiros", disse Vorovski ao jornal Ukrainska Pravda.
Vorovski, que afirmou ter estado no local, alegou ainda que agentes da SBU tinham realizado uma busca noturna de emergência no apartamento de Kaplunov sem permitir a sua entrada como advogado e sem mandado judicial, adiantou a imprensa ucraniana.
O advogado questionou ainda por que razão a busca foi realizada na madrugada de hoje, se Kaplunov já tinha sido detido a 23 de agosto, e afirmou que ainda não lhe tinham explicado o motivo da detenção do seu cliente.
O advogado rejeitou ainda a alegação da SBU de que tivesse frustrado uma tentativa de assassinato contra Kaplunov, classificando-a como uma tentativa de justificar o que descreveu como uma detenção extrajudicial e uma "manobra de relações públicas", segundo o Kyiv Independent.
Kaplunov foi entretanto libertado, segundo o advogado.