Oposição de centro-esquerda tem vitória assegurada na Suécia
A oposição de centro-esquerda tem a vitória garantida nas eleições legislativas do passado domingo na Suécia, quando já foram escrutinados 99,6% dos distritos eleitorais, segundo uma previsão divulgada hoje pela televisão pública SVT.
De acordo com a SVT, o bloco liderado pela social-democrata Magdalena Andersson ganhará as eleições com 99,9% de probabilidade.
"A probabilidade de uma reviravolta nesta situação é tão baixa que nos atrevemos a dizer que a oposição terá mais deputados nestas eleições", afirmou o canal televisivo.
Com 6.607 dos 6.626 distritos totais contabilizados, a oposição mantém uma vantagem mínima com 49,4% contra 49%, 175 lugares contra 174, embora ao longo do dia a vantagem tenha oscilado entre um e três mandatos.
A Autoridade Eleitoral da Suécia tinha iniciado na terça-feira a contagem dos chamados "votos de quarta-feira", os boletins do voto exterior e os antecipados que chegaram com atraso, embora já tivesse comunicado que esperava que não terminasse o trabalho até quinta-feira.
As autoridades municipais de Gotemburgo, segunda cidade em população na Suécia, já comunicaram que só acabarão de contar os boletins precisamente na quinta-feira.
O sistema eleitoral sueco divide-se em 6.312 distritos, a que se somam outros 314, os "uppsamlingsdistrikt" (distritos de recolha), umas circunscrições fictícias em que se agrupam os "votos de quarta-feira".
"Esperamos uma quantidade maior de votos este ano do que em eleições anteriores. Não podemos saber o número de antemão, mas estimamos que sejam cerca de 300.000. Isso significa que a contagem provavelmente levará muito tempo em muitos municípios e que não teremos um resultado preliminar atualizado até quinta-feira", tinha informado a Autoridade Eleitoral.
Nas anteriores eleições legislativas de 2022, na quarta-feira seguinte às eleições contabilizaram-se pouco mais de 227.000 boletins, que originaram que o Partido Conservador ganhasse um assento, embora o equilíbrio entre blocos não tenha sido alterado.
Os "votos de quarta-feira" historicamente não têm tido muita influência no resultado eleitoral final na Suécia, com algumas exceções, como em 1979, quando a esquerda liderada pelo social-democrata Olof Palme perdeu as eleições devido aos boletins do estrangeiro, depois de apenas 8.500 votos separarem os dois blocos na noite eleitoral.
De acordo com o resultado preliminar, o Partido Social-Democrata, a força mais votada nos últimos 100 anos, ganhou as eleições com 28%, 2,3 pontos a menos, mas com os piores números desde 1928.
O Partido Moderado (conservador) subiu oito décimas até 19,9% e recuperou a condição de primeira força do bloco de direita, à frente da extrema-direita Democratas da Suécia (SD), que recua três pontos até 17,5%.
O resultado definitivo não é esperado até ao próximo fim de semana.