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Lula diz que recusa fazer política em igrejas durante encontro com pastores evangélicos

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Foto EPA/ANDRE BORGES

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, reuniu hoje pastores evangélicos brasileiros e norte-americanos no Palácio do Planalto, onde criticou o uso político da religião e afirmou que não fará campanha em igrejas.

"Eu me recuso toda vez que me pedem alguém para ir numa igreja falar de política, eu não vou", afirmou Lula, acrescentando que respeita "muito a fé das pessoas" e o compromisso individual de cada pessoa com Deus.

"Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja", declarou Lula, que justificou a decisão com o respeito pelo espaço de fé e pelo momento de cada pessoa para conversar com Deus.

O encontro ocorre num contexto em que o eleitorado evangélico tem cada vez mais peso relevante no Brasil. Segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47,4 milhões de brasileiros declararam-se evangélicos, correspondendo a 26,9% da população.

O número representa um crescimento três vezes maior comparado ao Censo de 1991, quando os protestantes representavam 9% da população do país.

Uma sondagem de intenção de voto do Datafolha, divulgada em 12 de setembro, mostra Flávio Bolsonaro com 62% de aceitação entre os evangélicos, enquanto Lula regista 29%.

O levantamento também mostra diferenças entre católicos e evangélicos: Lula lidera entre os católicos, com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro regista 29%.

Entre os evangélicos, o senador e candidato do Partido Liberal à Presidência da República conta com 50% das intenções de voto, enquanto Lula tem 22%.

Durante o encontro, Lula também recordou que, quando criou o Partido dos Trabalhadores (PT), precisou explicar a cor vermelha da bandeira e recorreu ao cristianismo para justificar a escolha.

"Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira", disse, acrescentando que também explicou a estrela do partido como símbolo usado pelos navegadores para orientação e a sua própria barba com a referência de que "Jesus Cristo era barbudo".

Em sua fala aos religiosos, o chefe de Estado brasileiro voltou a associar a sua trajetória de vida -- marcada pela pobreza e luta contra a fome - a um milagre, e que Deus sempre foi generoso com ele.

"Se Deus pegou o menino que nasceu no Nordeste brasileiro com possibilidade de morrer de fome até 5 anos de idade e fez ele sobreviver, e fez ele chegar à Presidência da República três vezes, não pode ter maior abraço que Deus deu num ser humano do que deu em mim", realçou.

Ainda durante o encontro, Lula adiantou o que irá discursar na abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na próxima semana, ao reiterar a crítica ao Conselho Segurança da Organização da ONU.

O chefe de Estado brasileiro chamou "covardes" especificamente os cinco membros permanentes com poder de veto: França, Reino Unido, Estados Unidos, Rússia e China.

"Vocês estão desrespeitando a razão pela qual foi criado o Conselho de Segurança da ONU. Foi criada para fazer paz, para fazer harmonia e não para fazer guerra", afirmou, referido aos cinco países.

"Se vocês (países com poder de veto) se abstêm quando tem que tomar decisão, vocês são covardes. Se vocês não tomam decisão na hora certa significa que vocês não merecem estar no Conselho de Segurança", realçou.