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Madeira

Economia da Madeira abranda pelo segundo mês seguido, mas continua a crescer há 64 meses

Haverá sinais de arrefecimento na economia regional.   Foto Depositphotos
Haverá sinais de arrefecimento na economia regional.   Foto Depositphotos

O Indicador Regional de Atividade Económica (IRAE), divulgado hoje pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM), revela que a actividade económica da Região manteve, em Junho de 2026, uma trajectória de crescimento - a 64.ª subida consecutiva -, embora a um ritmo inferior ao observado no mês anterior, registando-se um abrandamento pelo segundo mês seguido. Estes dados vêm confirmar os anúncios políticos feitos nos últimos dias.

Albuquerque destaca crescimento económico e aponta IRC para 12,6%

Presidente do Governo afirmou, na abertura das Jornadas Parlamentares do PSD, que a Madeira soma 64 meses consecutivos de crescimento e garante continuidade da redução de impostos

Criado em Outubro de 2017, o IRAE tem como objectivo sinalizar o comportamento da actividade económica, nomeadamente a sua direcção e a magnitude das flutuações, identificando acelerações, desacelerações e pontos de viragem. O seu valor quantitativo assume, por isso, uma importância secundária, não substituindo a variação real do Produto Interno Bruto, ainda que exista uma forte correlação entre as duas variáveis.

Turismo perde fôlego, mas proveitos continuam a subir

No sector do turismo, o número de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico diminuiu 1,8%, acentuando a redução já registada em Maio (-1,3%). Os proveitos totais aumentaram 6,5%, mantendo uma evolução positiva, ainda que menos intensa do que a observada no mês anterior (8,1%). O RevPAR cresceu 3,2%, prosseguindo a tendência de desaceleração face aos 4,8% de Maio, enquanto a taxa líquida de ocupação-cama recuou ligeiramente para 67,2% (67,6% em maio).

Energia e dinâmica empresarial

No sector energético, a emissão de energia eléctrica cresceu 3,7%, valor próximo do registado no mês anterior (3,9%), enquanto a introdução no consumo de gasóleo caiu 7,0%, agravando significativamente a quebra de Maio (-0,2%). Já a dinâmica empresarial mostrou uma relação de 2,4 novas sociedades por cada dissolução, ligeiramente abaixo dos 2,5 do mês precedente.

Confiança sobe na indústria, comércio e serviços, mas desce na construção

Os indicadores de confiança registaram evolução favorável na Indústria Transformadora, no Comércio e nos Serviços, mas recuaram na Construção e Obras Públicas.

Consumo privado e investimento com sinais mistos

No consumo privado, a introdução no consumo de gasolina cresceu apenas 1,0%, um abrandamento acentuado face aos 6,9% de Maio. O crédito às famílias para consumo e outros fins subiu 7,7% (8,7% no mês anterior) e os movimentos através de terminais de pagamento automático com cartões nacionais cresceram 5,2% (6,3% em Maio). As vendas de automóveis ligeiros de passageiros caíram 7,9%, invertendo o crescimento de 9,4% registado em Maio.

Quanto ao investimento, o comportamento foi heterogéneo, com a generalidade dos indicadores a evoluir favoravelmente. As vendas de veículos ligeiros de mercadorias recuaram 9,6% e a comercialização de cimento caiu 2,7%. Em sentido contrário, o crédito à habitação concedido às famílias aumentou 9,5%, a avaliação bancária da habitação acelerou para 19,1% (18,3% em maio) e o número de edifícios licenciados cresceu 25,2%, acima dos 21,2% do mês anterior.

Exportações caem, importações desaceleram

No que respeita à procura externa, as exportações regionais de bens diminuíram 9,8%, acentuando a contração de maio (-6,8%), enquanto as importações aumentaram 6,1%, uma desaceleração significativa face aos 23,8% do mês anterior. O movimento de mercadorias nos portos cresceu 4,2% (6,0% em maio) e o tráfego de passageiros aéreos subiu 2,4% (3,4% em maio). Os movimentos via TPA com cartões internacionais aumentaram 3,7%.

Desemprego em queda acentuada

No mercado de trabalho, o número de desempregados inscritos caiu 11,0%, uma redução muito mais expressiva do que a de Maio (-5,2%). Os pedidos de emprego diminuíram 10,5% e as ofertas de emprego recuaram 15,7%, aprofundando a quebra de 5,9% observada no mês anterior.

Inflação acelera para 5,0%

A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) subiu para 5,0% em Junho de 2026, face aos 4,6% de Maio. A inflação nos bens acelerou para 3,0% (2,7% em maio) e a dos serviços para 7,3% (6,7% em maio). Já a inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e energéticos, aumentou para 4,4%, após os 3,7% registados no mês anterior.