ADN Madeira contesta "64 meses de crescimento" do Governo Regional
Dirigente contrapõe com dados sobre custo de vida
O ADN Madeira divulgou um comunicado, da autoria de Eduardo Quintal, em que contesta o discurso do Governo Regional sobre os "64 meses de crescimento", propondo uma leitura alternativa desse período a partir da perspectiva de quem paga renda, compra comida, abastece o carro e tenta comprar casa na Região.
Segundo o partido, desde 2021 a remuneração bruta média cresceu cerca de 28%, mas no mesmo período o gasóleo aumentou cerca de 55%, o preço mediano da habitação praticamente duplicou e os valores publicados das rendas dos novos contratos passaram de 5,90 para 11,97 euros por metro quadrado.
O comunicado avança números concretos: um depósito de 50 litros de gasóleo, que custava cerca de 65,75 euros em Maio de 2021, custa hoje cerca de 101,80 euros. Já uma habitação de 100 metros quadrados, tendo como referência os valores medianos publicados para novos contratos, representava cerca de 590 euros mensais em 2021, valor que em 2026 se situa nos 1.197 euros. Quanto à compra de casa, o preço mediano por metro quadrado passou de 1.402 para 2.863 euros.
O ADN Madeira sublinha ainda que, até Maio de 2025, o índice oficial dos preços dos alimentos já estava cerca de 34% acima do registado em Maio de 2021, com aumentos particularmente fortes em 2022 e 2023.
"Porque uma família não vive de 64 meses de indicadores económicos. Vive de 64 rendas. De 64 idas ao supermercado. De 64 meses de combustível, electricidade e contas", lê-se.
O partido esclarece que não questiona "o valor de uma economia que cresce", mas sim "uma política que apresenta o crescimento como vitória suficiente quando o custo de permanecer na Madeira corre muito mais depressa do que o rendimento de muitos trabalhadores". O comunicado nota ainda as especificidades da Região enquanto território insular e ultraperiférico, referindo que "o custo do transporte repercute-se nos bens", que "o território disponível para habitação é limitado" e que "a orografia condiciona a construção", acrescentando-se no Porto Santo o factor da dupla insularidade.
Citado no comunicado, Eduardo Quintal afirma que "a autonomia tem de servir para reduzir estas desvantagens na vida concreta das pessoas", sustentando que "o crescimento económico só é progresso quando uma família consegue pagar uma casa, abastecer o carro, fazer compras e viver do seu salário sem passar todos os meses a cortar noutra necessidade essencial".
O comunicado termina com uma interpelação directa ao Governo Regional: "O Governo conta 64 meses de crescimento. Nós perguntamos quanto custaram esses 64 meses às famílias madeirenses."