DNOTICIAS.PT
País

Chega quer ouvir ministro sobre falta de habitação na classe média

None

O Chega (CH) questionou o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, sobre a falta de habitação a preços compatíveis com os rendimentos da classe média, exigindo medidas concretas para reduzir o afastamento entre os salários e os preços das casas.

A iniciativa foi apresentada pelos deputados do grupo parlamentar do CH na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República, tendo por base um estudo da Universidade Técnica de Viena que analisou mais de 18 milhões de anúncios de venda e 3,5 milhões de anúncios de arrendamento em 31 países europeus.

Segundo o estudo citado pelo partido, Portugal encontra-se entre os mercados considerados sistematicamente inacessíveis para compradores com rendimentos médios, com maior gravidade nas grandes áreas metropolitanas.

Para Francisco Gomes, deputado e coordenador do CH na comissão parlamentar, os dados mostram que a crise da habitação já não afecta apenas os agregados economicamente mais vulneráveis.

"Portugal chegou a um ponto absurdo em que trabalhar, cumprir as obrigações e receber um salário médio já não chega para ter uma casa. Estamos a transformar a classe média numa classe de sobrevivência, condenada a entregar uma parte incomportável do rendimento a uma renda ou a desistir simplesmente de comprar casa", afirma.

Na pergunta dirigida a Miguel Pinto Luz, os deputados querem saber que medidas pretende o Governo adoptar para reduzir a diferença entre a evolução dos preços da habitação e dos rendimentos, incluindo nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Funchal.

O CH questiona ainda o ministro sobre o número de habitações para compra ou arrendamento a preços acessíveis que o Governo prevê disponibilizar até 2030.

"Não podemos aceitar um país onde uma família de classe média olha para o preço de uma casa e percebe que, mesmo trabalhando uma vida inteira, dificilmente a conseguirá pagar. Se as políticas de habitação não permitem que quem trabalha consiga viver dignamente no seu próprio país, então essas políticas falharam de forma monumental", considera Francisco Gomes.

O deputado defende, por isso, um aumento significativo da oferta habitacional e uma aproximação dos preços à capacidade financeira das famílias.

"Uma casa não pode transformar-se num luxo reservado a ricos. A classe média portuguesa está a ser expulsa do mercado da habitação e o Governo não pode continuar a responder com anúncios enquanto os preços continuam fora do alcance de quem trabalha. Queremos casas, oferta e resultados!", conclui.