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Madeira

Célia Pessegueiro alerta para abandono da vinha

Socialista visitou a Festa da Vindima, no Estreito de Câmara de Lobos, e ouviu queixas sobre falta de mão-de-obra, baixos rendimentos e burocracia

Foto PS-Madeira
Foto PS-Madeira

Célia Pessegueiro alertou, este sábado, para as dificuldades enfrentadas pelos pequenos viticultores madeirenses, depois de uma visita à Festa da Vindima, no Estreito de Câmara de Lobos, onde contactou com vários produtores e ouviu relatos de abandono da cultura da vinha.

A socialista destacou o caso de um pequeno produtor que este ano já não entregou uvas por ter deixado de produzir. Entre as razões apontadas estão a falta de mão-de-obra e o rendimento insuficiente da casta Tinta Negra para suportar os custos associados à manutenção da vinha ao longo de todo o ano.

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A burocracia é outro dos problemas que, segundo Célia Pessegueiro, continua a pesar especialmente sobre os produtores de menor dimensão. Apesar da aproximação pontual dos serviços técnicos, afirmou que muitos agricultores continuam a ter dificuldades em tratar dos procedimentos necessários para aceder aos apoios destinados a compensar os custos de produção.

Para a socialista, o peso do Vinho Madeira na identidade e promoção externa da Região justifica um reforço dos incentivos à produção. Reconhecendo que o valor pago pelas castas tem aumentado, considera que é necessário ir mais longe para garantir que os agricultores mantenham as vinhas e, simultaneamente, preservem a paisagem característica de zonas como o Estreito de Câmara de Lobos.

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A tradicional apanha da uva que assinala a Festa das Vindimas teve, este ano, um cenário diferente.&nbsp;O habitual terreno agrícola deu lugar a um estaleiro onde nascerá um novo empreendimento habitacional privado, um reflexo visível da crescente pressão imobiliária sobre os solos vitícolas da Região Autónoma.&nbsp;<br>Confrontado pelos jornalistas com esta realidade e com a perda de espaço para as vinhas, o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, recusou cenários alarmistas.

Nesse sentido, recordou uma proposta socialista para que parte da receita da taxa turística possa ser utilizada para compensar os produtores pelo contributo que dão para a manutenção da paisagem agrícola. “É impensável imaginarmos o Estreito de Câmara de Lobos sem esta paisagem das vinhas e das latadas”, sustentou.

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Célia Pessegueiro defendeu também um maior envolvimento das casas produtoras de Vinho Madeira no processo agrícola. A proposta passa por estas empresas poderem adquirir antecipadamente, no início do ano, a produção de determinadas parcelas e acompanharem tecnicamente o desenvolvimento das vinhas.

A solução, argumenta, permitiria dar maior segurança aos viticultores e repartir o risco da produção, ao mesmo tempo que as empresas teriam interesse direto em acompanhar a qualidade da uva que posteriormente receberiam.

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A socialista chamou ainda a atenção para a evolução recente da produção, apontando para uma “quebra abrupta” nos dados de 2024 e 2025, depois de anos em que a produção ultrapassou as quatro mil toneladas.

Críticas às promessas sobre caminhos agrícolas

A visita serviu igualmente para Célia Pessegueiro criticar promessas antigas relacionadas com acessibilidades agrícolas. Referiu, entre outros exemplos, a ligação entre o Jardim da Serra e o Curral das Freiras, que diz ser anunciada há cerca de uma década sem concretização.

Segundo a socialista, estas promessas regressam frequentemente em momentos festivos, mas acabam por não avançar no terreno, apesar das expectativas criadas junto das populações e dos agricultores.

Célia Pessegueiro considera, por isso, necessário reforçar os mecanismos de apoio à viticultura, defendendo que a preservação da produção de uva não pode ser dissociada da importância económica, paisagística e promocional do Vinho Madeira.