Líder do PS-M exige estratégia contínua na prevenção de incêndios
Célia Pessegueiro lamenta medidas avulsas de Albuquerque
A presidente do PS-Madeira, Célia Pessegueiro, defendeu hoje a necessidade urgente de uma estratégia contínua e integrada de prevenção contra incêndios na Região Autónoma da Madeira, criticando duramente a incapacidade do Governo Regional em garantir a manutenção das zonas de protecção e o recurso a medidas avulsas para tentar mitigar a situação.
Em visita ao Terreiro da Luta para aferir o estado de execução e conservação da faixa corta-fogo da cidade do Funchal, a líder socialista constatou que uma parcela significativa desta área prioritária se encontra novamente coberta de vegetação, pondo em risco a segurança da população do Funchal e apontou críticas à falta de uma política silvopastoril eficaz e sustentada no tempo.
Perante o histórico de graves incêndios que já ameaçaram a cidade do Funchal ao longo das últimas décadas, a presidente do PS-Madeira lamentou que o principal responsável político da Região, Miguel Albuquerque, com um percurso de trinta anos de cargos executivos municipais e regionais, continue a responder a um problema gravíssimo com medidas desarticuladas e sem eficácia prática.
Célia Pessegueiro lembrou que a intervenção nesta faixa de proteção abrange uma dimensão equivalente a mais de 600 campos de futebol, iniciada em 2018, mas ressalvou que metade dessa extensão continua por limpar e que o trabalho de desmatamento pontual através de máquinas é manifestamente insuficiente sem a devida manutenção contínua.
Para a dirigente, a acumulação de combustível vegetal em locais intervencionados há pouco tempo demonstra a falha evidente na gestão do território, uma vez que o avultado investimento financeiro realizado não tem evitado que extensas áreas fiquem novamente vulneráveis à progressão de fogos.
A presidente do PS-Madeira reiterou a relevância da proposta de alteração ao regime silvopastoril apresentada pelos socialistas na Assembleia Regional e destacou a urgência em viabilizar a transumância e o pastoreio dirigido, um modelo com provas dadas no território continental e no arquipélago das Canárias que conta com a colaboração ativa dos pastores no direcionamento dos rebanhos para os pontos críticos, garantindo o controlo permanente da vegetação jovem.
Célia Pessegueiro referiu que a excessiva dependência de meios mecânicos e meios aéreos não substitui o trabalho estrutural de ordenamento florestal e limpeza e contestou a intenção do governo de se limitar a abandonar animais em terrenos cercados, apontando desconhecer-se o paradeiro das 300 cabeças de gado que o governo anunciou para manter a faixa corta-fogo.
Paralelamente, a líder dos socialistas madeirenses alertou para a ilusão de centralizar toda a resposta do combate aos fogos na operação do helicóptero, sublinhando as limitações operacionais deste recurso. "Parece que agora tudo se resolve com o helicóptero, mas o helicóptero tem uma intervenção muito limitada no território porque não consegue funcionar mais do que algumas horas por dia", advertiu, reforçando que a verdadeira eficácia na contenção das chamas exige zonas de proteção e limpezas regulares no terreno ao longo de todo o ano.
O Partido Socialista faz saber que continuará a insistir na aprovação de instrumentos legislativos que capacitem os produtores locais e promovam a limpeza preventiva do território ao longo de todo o ano, assegurando uma efectiva defesa das populações e do património natural madeirense.