Como evitar o enjoo por movimento?
A cinetose pode acontecer em todo o tipo de transportes e afectar tanto adultos, quanto crianças. Náuseas, suores frios, dores de cabeça, entre outros sintomas tornam o enjoo por movimento algo debilitante, mas existem forma de contrariar e minimizar o desconforto.
O enjoo por movimento, também conhecido como cinetose, é uma condição caracterizada pela sensação de mal-estar, náuseas e, por vezes, vómitos, que ocorre em resposta a um movimento real, ou percepcionado. Barcos, carros, aviões, comboios, autocarros. Qualquer destes meios de transporte pode provocar este mal-estar, que é um fenómeno comum, não sendo indicativo da existência de uma doença.
A cinetose é normalmente mais sentida em barcos, tanto devido à ondulação como à maior adaptação do corpo humano a viver em terra e não sobre a água. No entanto, acaba por ser mais comum em carros ou autocarros, dado o maior número de pessoas que os usam. O enjoo por movimento pode ocorrer, ainda, em parques de diversões, parques infantis, elevadores, ou mesmo motivado por movimento virtual, como em simuladores, óculos 3D, ou capacetes de realidade virtual.
Historicamente, foi o enjoo em passageiros de barcos – e a menor prevalência nos pescadores e marinheiros – que levou à sua identificação e estudo. A origem da palavra ‘náusea’ surge precisamente do enjoo por movimento. Na Grécia Antiga, a palavra ‘barco’ era pronunciada como ‘naus’, e ficar enjoado num barco era ‘nausiao’. Em latim, essas palavras evoluíram para ‘nausea’ e ‘nauseare’.
O que é a cinetose?
O enjoo por movimento é causado pela chegada de diferentes informações ao cérebro, que entram em conflito. Sentados num carro, num barco ou a andar numa montanha-russa, os olhos vêem uma coisa, os músculos e ligamentos sentem outra, e o ouvido interno, responsável por manter o equilíbrio, tem outra sensação ainda.
Ao receber sinais confusos, que parecem resultar de uma ameaça externa, o cérebro responde com um ataque, na forma dos vários sintomas de enjoo. O mesmo pode acontecer, como referido acima, aquando da utilização de simuladores de realidade virtual, que podem confundir o cérebro da mesma forma que viajar a alta velocidade sentado numa cadeira.
Os sintomas da cinetose são mais frequentes durante a infância e têm tendência a esbater-se ao longo do tempo, pela cada vez maior habituação do corpo ao movimento e aos transportes. As crianças dos 5 aos 12 anos são mais susceptíveis de sofrer destes enjoos, ao contrário dos mais pequenos, cujo equilíbrio ainda não está desenvolvido. Ainda assim, a cinetose pode ser crónica ou surgir em momentos diversos da vida.
As mulheres sofrem mais do que os homens, principalmente quando estão grávidas ou durante a menstruação. As pessoas que sofrem regularmente de enxaquecas também são susceptíveis de enjoos por movimento, e alguns medicamentos (como determinados antibióticos) podem ter como efeito secundário facilitar a cinetose.
Os principais sintomas
Náuseas, vómitos e tonturas são os principais efeitos da cinetose, mas a lista de varia de pessoa para pessoa. Pode, também, ocorrer a sensação de enfartamento, mal-estar geral, sonolência, apatia, fadiga e irritabilidade. É comum, ainda, a sensibilidade a odores, perda de apetite, suores e suores frios, dor de cabeça e tonturas, sensação de febre, excesso de saliva e hiperventilação.
Os sintomas desaparecem geralmente quando a viagem termina, mas, em algumas pessoas, podem durar horas, ou mesmo dias após o término da viagem ou evento que despoletou a cinetose.
Como evitar a cinetose
Dependendo do meio de transporte em que se está, há dicas para escolher o melhor local para evitar os enjoos. No carro é o lugar do passageiro à frente; no comboio junto à janela e voltado para a frente; no barco na metade da frente, o mais junto da linha de água possível; no avião na zona da asa, principalmente do lado da frente.
Nem sempre é possível evitar o desconforto, mas existem algumas estratégias para evitar ou diminuir o enjoo, a começar por conhecer bem as situações que o provocam, ou os limites destas. Devem evitar-se refeições pesadas antes de viajar e ir comendo snacks leves acompanhados de água fresca ou bebidas gaseificadas sem cafeína. Não fumar, não beber álcool e evitar odores intensos.
Manter a cabeça direita e olhar para o horizonte ou para um ponto afastado no exterior, procurar distrações como música (ler, nunca), abrir um pouco uma janela, se possível, ou direccionar a ventilação para a face, e utilizar produtos com gengibre e mentol, são outras dicas para prevenir ou aliviar os sintomas. Usar óculos de sol pode ser útil para reduzir o aporte visual, e é mesmo aconselhado fechar os olhos e tentar dormir, respirar de forma controlada e regular, e reduzir os movimentos do corpo, em especial da cabeça.
Medicamentos para prevenção
Não sendo um medicamento, o gengibre ajuda a combater os sintomas de enjoo. Pode ser consumido ao natural ou em chás, bolachas, ginger ale ou pastilhas. O próprio aroma tem um efeito calmante, e o mesmo pode acontecer com a hortelã-pimenta. Mas, quando estas recomendações são insuficientes, existem fármacos que poderão ser úteis na prevenção do enjoo de movimento.
Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, “os fármacos são mais eficazes quando associados a modificações comportamentais ou ambientais, e deverão ser tomados antes de iniciar a viagem”. Na selecção do tratamento é necessário ter em conta a duração da exposição, a tolerância aos efeitos adversos, a idade, a presença de doenças crónicas e outros medicamentos que esteja a tomar. Antes de iniciar a toma de um medicamento para a prevenção do enjoo do movimento, é importante sempre o aconselhamento médico sobre qual a opção mais indicada.
Os anti-histamínicos H1 sedativos, estão entre os medicamentos de primeira linha para a prevenção da cinetose. O dimenidrinato é o principal anti-histamínico comercializado em Portugal para esta indicação, com o estatuto de medicamento não sujeito a prescrição médica. Encontra-se disponível na forma de comprimidos, comprimidos sublinguais e supositórios.
A primeira dose deve ser tomada 30 a 60 minutos antes do início da viagem, e a administração pode ser repetida cada 4 a 6 horas, se necessário, desde que não seja ultrapassada a dose máxima diária recomendada. Como todos os medicamentos, o dimenidrinato pode causar alguns efeitos adversos, sendo a sonolência o mais frequente, pelo que estes fármacos não devem ser usados quando a diminuição do estado de alerta possa ser prejudicial.
A cinarizina, também tem sido utilizada para o controlo do enjoo do movimento, segundo explica a Ordem dos Farmacêuticos. Este medicamento deverá ser administrado duas horas antes do início da viagem, de preferência após a refeição. Ao contrário do dimenidrinato, este fármaco requer prescrição médica para a sua dispensa.