Turismo sem regras é caminho para o caos

A Madeira está a pagar o preço do seu sucesso turístico. O problema já não é receber muitos visitantes. É recebê-los sem planeamento, sem regras e sem capacidade para proteger quem cá vive.

As estradas transformaram-se num desfile interminável de carros de aluguer, conduzidos muitas vezes por quem desconhece o terreno e as suas particularidades. Filas constantes, congestionamentos, travagens inesperadas e uma crescente sensação de insegurança passaram a fazer parte do quotidiano.

A tudo isto junta-se o estacionamento selvagem. Passeios ocupados, curvas bloqueadas, acessos impedidos e viaturas deixadas em qualquer lugar, como se o espaço público não tivesse regras. A fiscalização continua manifestamente insuficiente.

Também em muitos dos locais mais procurados reina uma ocupação quase descontrolada. Há turistas que respeitam a terra que visitam, mas há outros que invadem trilhos, miradouros e espaços públicos com uma atitude de quem tudo pode, ignorando sinalização, propriedade privada e as mais elementares regras de civismo.

O turismo é essencial para a economia regional, mas não pode transformar a Madeira num parque temático onde os residentes são meros figurantes. É tempo de limitar excessos, reforçar a fiscalização, ordenar o trânsito e exigir respeito pelo território.

Receber bem não significa aceitar tudo. Uma ilha com a dimensão da Madeira tem limites. Ignorá-los é comprometer a qualidade de vida dos madeirenses e, a prazo, a própria imagem do destino.

Joana Silva