Observar o eclipse solar em segurança
Na contagem decrescente pelo final da tarde da próxima quarta-feira, os portugueses preparam-se para desfrutar do eclipse solar da melhor forma. Neste ‘Explicador’ partilhamos dicas para uma observação em segurança deste fenómeno raro, esperado para o próximo dia 12 de Agosto.
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Marco Livramento , 05 Agosto 2026 - 22:40
Um eclipse total do sol ocorre quando a terra, a lua e o sol estão perfeitamente alinhados, e a lua acaba por ocultar por completo o disco solar por alguns momentos, fazendo do dia noite. O último eclipse solar total em Portugal aconteceu em 1912, sendo que o próximo é esperado em 2144. O evento que se espera para o próximo dia 12 de Agosto é, então, um fenómeno raro para várias gerações de portugueses.
Convém começar por referir que, segundo a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, apenas numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança, o eclipse será total. No restante território continental, o eclipse será parcial, com o obscurantismo a rondar os 92 a 99%. Já na Madeira, e também nos Açores, a ocultação rondará somente os 74 a 77%.
Para a Madeira, em concreto, a Ciência Viva espera uma percentagem de ocultação a rondar os 76%. Aqui, o eclipse solar tem início às 18h49 e término às 20h39. O máximo de ocultação poderá ser observado pelas 19h46, do dia 12 de Agosto.
Agência Lusa , 06 Agosto 2026 - 14:21
Observação em segurança
Apesar de ser uma oportunidade única para observar o céu durante um fenómeno raro, lembrar que olhar directamente para o sol sem protecção adequada pode causar danos irreversíveis nos olhos. Mesmo quando o sol parece quase totalmente coberto pela lua, a radiação continua a ser suficientemente intensa para causar danos. Embora a luz solar directa não provoque dor no momento, pode causar queimaduras na retina, resultando em manchas escuras na visão, visão distorcida ou até perda permanente de visão.
Um método seguro e simples para observação do eclipse solar é a utilização de ‘óculos de eclipse’, que devem ter certificação para observação do sol ISO 12312-2. A ZEISS disponibilizou óculos de eclipse gratuitos, em mais de 600 ópticas em todo o País. Contudo, o stock esgotou em menos de 24 horas.
Para aqueles que não conseguiram assegurar uns óculos de eclipse, a Ciência Viva disponibiliza um recurso para observar o sol em segurança, onde sugere três métodos que podem ser utilizados de uma forma eficaz para a observação do sol, dado que não requerem contacto dos olhos com a radiação solar. O documento pode ser consultado [aqui].
Agência Lusa , 05 Agosto 2026 - 15:44
Usar apenas óculos certificados
A principal dica para uma observação em segurança do eclipse solar é, mesmo, nunca olhar directamente para o sol. O eclipse nunca deve ser observado à vista desarmada, nem durante poucos segundos, nem quando o sol estiver quase totalmente coberto pela lua. A diminuição da luz não significa que a radiação tenha deixado de ser perigosa. Esta regra aplica-se a todas as fases do eclipse.
Reitera-se, então, que a observação directa deve ser feita exclusivamente com óculos de eclipse ou visores solares concebidos para essa finalidade, que devem cumprir a norma ISO 12312-2, apresentar marcação CE e incluir informação que permita identificar o fabricante e a origem do produto.
Antes do eclipse, confirmar que os filtros estão bem fixos e que não apresentam qualquer sinal de deterioração. Os óculos podem perder a capacidade de protecção quando são dobrados, riscados ou armazenados de forma inadequada. Devem ser colocados antes de se dirigir o olhar para o sol, e, para os retirar, o olhar deve ser desviado primeiro. Mesmo com os óculos, as observações devem ser curtas e espaçadas.
Agência Lusa , 22 Julho 2026 - 04:44
Outras recomendações
Segundo conselhos partilhados pela Lusíadas Saúde para a observação segura do eclipse solar, os óculos de sol não são adequados para observar directamente o Sol e também não devem ser utilizados outros materiais como radiografias ou negativos fotográficos. Estes materiais podem reduzir a luminosidade e transmitir uma falsa sensação de segurança, mas não filtram necessariamente a radiação capaz de danificar a retina.
Os óculos de eclipse não devem ser usados em conjunto com câmaras, telemóveis, binóculos, telescópios ou outros instrumentos ópticos. Estes equipamentos concentram a radiação solar, e podem provocar lesões oculares imediatas, além de danificarem os próprios dispositivos. Para fazer a observação através de um telescópio ou lente de uma máquina fotográfica, é necessário utilizar um filtro solar adequado.
As crianças podem ter maior dificuldade em manter os óculos correctamente colocados e em resistir à tentação de olhar directamente para o sol, pelo que devem ser supervisionadas. É importante explicar-lhes previamente os riscos, demonstrar como devem utilizar os óculos e assegurar uma supervisão contínua.
Os sinais de lesão podem não surgir imediatamente após a observação do eclipse. Entre os possíveis sintomas encontram-se visão desfocada, uma mancha escura ou um ponto cego no centro da visão, imagens distorcidas, entre outros. Caso surja algum destes sintomas, deverá ser feita uma avaliação por oftalmologista.