Onze condenados em Marrocos a prisão por travessia em massa para Ceuta
A justiça marroquina condenou até agora 11 pessoas a até seis meses de prisão e multas até mil euros por envolvimento na organização da travessia em massa de migrantes para a cidade espanhola de Ceuta, na semana passada.
Segundo dados mencionados no portal dos tribunais do Ministério da Justiça de Marrocos, nove detidos foram condenados a penas de cinco e seis meses de prisão por "facilitar a saída clandestina de cidadãos marroquinos e/ou estrangeiros por locais que não as passagens fronteiriças a tal destinadas", transportar passageiros sem autorização e exceder o número de passageiros autorizado num veículo de transporte público.
Outras duas pessoas foram condenadas por incitarem outros a cometer um crime por via eletrónica.
Há também mais 20 pessoas julgadas e a aguardar sentença por desobediência, uso de armas, agressão a funcionários públicos, vandalismo e danos à propriedade pública.
Todas foram processadas e condenadas no Tribunal de Primeira Instância de Tetuão, no norte de Marrocos, nos dias que se seguiram à travessia em massa de pessoas -- 72 mil em 24 horas, segundo as autoridades espanholas - durante a qual ocorreram graves incidentes violentos, incluindo confrontos entre a polícia e os migrantes.
O presidente da secção de Tetuão da Associação Marroquina para os Direitos Humanos (AMDH), Achraf Maimoun, disse hoje à agência de notícias espanhola EFE que, entre os processados, estão cinco menores, detidos por atos de violência e vandalismo, que foram transferidos para um centro de proteção de menores nos arredores de Rabat.
A greve dos advogados em curso há semanas no país está a dificultar o acompanhamento dos processos judiciais relacionados com esta crise migratória no norte de África.
A crise teve início a 30 de julho, quando cerca de 72 mil pessoas tentaram atravessar ilegalmente de Fnideq (Castillejos, Marrocos) para a cidade autónoma espanhola de Ceuta, na fronteira.
Cerca de 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados das autoridades de Espanha.
Muitos migrantes tentaram nadar até Ceuta e o caos no mar resultou na morte de pelo menos 141 pessoas, segundo a organização não-governamental Caminando Fronteras.
As autoridades de Ceuta confirmaram a recuperação de 75 corpos do lado espanhol, ao passo que Marrocos reportou 11 vítimas mortais no seu território.