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Infantino terá oferecido final a Marrocos em troca de apoio, FIFA desmente

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Foto EPA/JALAL MORCHIDI

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, terá oferecido a Marrocos a final do Mundial2030 de futebol, sediado também por Portugal e Espanha, em troca de apoio eleitoral, revelou hoje o jornal The Times, numa notícia desmentida pelo organismo.

De acordo com a publicação britânica, o dirigente ítalo-suíço estará a tentar persuadir as federações-membro da FIFA a emitirem declarações de apoio à sua recandidatura às próximas eleições do regulador do futebol mundial, numa altura em que enfrenta crescente oposição, após ter recuado na proposta de vender participações dos Mundiais a investidores privados.

"É falso e enganador afirmar que o presidente da FIFA fez qualquer promessa em relação à realização da final do Campeonato do Mundo de 2030. A decisão será tomada pela FIFA oportunamente", contrapôs um porta-voz do organismo.

As eleições da FIFA realizam-se em março de 2027, em Rabat, capital de Marrocos, onde Infantino, único candidato assumido, reuniu hoje com outros dirigentes do organismo e saiu sem prestar declarações à imprensa.

O The Times destaca a importância do apoio marroquino para Infantino, que tem em vista um terceiro e último mandato e precisa de, pelo menos, 106 votos das 211 federações-membro no próximo Congresso da FIFA.

Marrocos tem sido um dos aliados de Infantino desde a chegada do dirigente à liderança do organismo, em 2016, e deseja acolher o encontro decisivo do Mundial2030 no Estádio Hassan II, a ser construído em Casablanca e com uma capacidade projetada de 115.000 espetadores.

Os africanos vão sediar a 24.ª edição da principal prova internacional de seleções com Portugal e Espanha, cuja pretensão é receber a final no Estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, tal como aconteceu em 1982.

Infantino anunciou a recandidatura à presidência da FIFA em maio, num Congresso realizado antes do Mundial2026, que se disputou entre Estados Unidos, México e Canadá e foi conquistado pela campeã europeia Espanha.

O advogado pode chegar aos 15 anos no cargo, caso seja reconduzido e permaneça em funções até 2031, sendo que perdeu o apoio de algumas federações nos últimos dias, principalmente europeias, e tem sido criticado.

Infantino, de 56 anos, foi nomeado como nono presidente da história da FIFA em 2016, ao derrotar três adversários nas urnas, para suceder ao suíço Joseph Blatter, que renunciou ao cargo um ano antes e foi impedido de participar nas atividades do organismo até 2027, após enfrentar acusações de fraude e corrupção, das quais seria absolvido de forma definitiva pela justiça helvética em 2025.

Depois de completar o remanescente do derradeiro mandato de Blatter, o antigo secretário-geral da UEFA concorreu sem oposição em 2019 e 2023 e foi eleito por aclamação nesses dois escrutínios, unanimidade que ficou em risco na semana passada, com a proposta de um modelo de comercialização dos Mundiais a ser retirada no sábado, quatro dias depois do anúncio.

Segundo os estatutos da FIFA, o primeiro triénio da presidência de Infantino não conta para o limite de 12 anos, pelo que o ítalo-suíço, alvo de inúmeras controvérsias, sobretudo nos últimos meses, pode liderar o organismo aquando do próximo Campeonato do Mundo.

Antes de se fixar na Europa e em África, o Mundial2030 vai celebrar o centenário da prova com três jogos na América do Sul, entre Argentina, Paraguai e Uruguai, anfitrião e vencedor da edição inaugural, em 1930.

O Campeonato do Mundo vai decorrer pela primeira vez em seis países e três continentes e promoverá a terceira organização conjunta, após Coreia do Sul e Japão, em 2002, e Estados Unidos, México e Canadá, em 2026.