Apoios de emergência cobrem apenas 42% das necessidades da população após sismos
A ONU afirmou hoje que a resposta de emergência enviada para a Venezuela na sequência dos sismos de junho já alcançou mais de 207 mil pessoas, mas cobre apenas 42% das necessidades dos venezuelanos.
Em comunicado, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) estimou que a resposta conjunta concertada entre a ONU, governos e sociedade civil alcançou mais de 207 mil pessoas até o final de julho.
Os Estados Unidos são os principais doadores de apoio à Venezuela, com cerca de 270 milhões de dólares (cerca de 233,8 milhões de euros ao câmbio atual), seguidos pela União Europeia (UE) com 31,6 milhões de euros, do Fundo Central de Resposta de Emergência da ONU com 14,7 milhões de euros e da Suíça com 9,7 milhões de euros.
Ainda assim, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, alertou para o financiamento insuficiente e reforçou o apelo para mais apoio internacional, para que as organizações prossigam com os seus esforços no terreno nos próximos meses.
Segundo a ONU, este apoio é particularmente importante face aos impactos provocados pelos sismos num país que já apresentava sinais humanitários graves.
Só no início do ano, de acordo com a organização internacional, "cerca de 7,9 milhões venezuelanos precisavam de ajuda humanitária".
No que diz respeito a ajuda alimentar, La Guaira, a zona mais afetada pelo duplo sismo de 24 de junho, foi a região mais apoiada, com mais de 142,9 mil pessoas a serem assistidas, seguida do Distrito Capital, Miranda e Arágua.
"Entre as pessoas apoiadas contam-se 111,8 mil mulheres, 95,9 mil homens e mais de 2,2 mil pessoas com deficiência", adiantou a mesma nota informativa.
Esta operação de apoio de segurança alimentar envolve 70 estruturas, nomeadamente sete agências, 24 organizações não-governamentais (ONG) internacionais e 39 entidades nacionais e locais, atuando em 14 estados, 52 municípios e 104 paróquias, detalhou a OCHA.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) avançou que já atendeu "mais de 100 mil pessoas com refeições em abrigos" em "mais de 80 comunidades rurais e urbanas".
O PAM, em regiões onde os mercados ainda operam, distribuiu cupões de alimentos para "estimular a economia local" ao mesmo tempo que auxilia as populações afetadas.
A agência das Nações Unidas estima que poderá vir a apoiar até meio milhão de pessoas só nos primeiros três meses de operação e fez também um pedido urgente para arrecadar pelo menos 80 milhões de dólares (cerca de 69,2 milhões de euros) para manter o abastecimento.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em 24 de junho, em particular o estado costeiro de La Guaira, próximo de Caracas, provocando pelo menos 6.125 mortos e 1.579 desaparecidos.
Entre os mortos confirmados, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, contam-se 138 portugueses e lusodescendentes.
O Governo venezuelano procura agora apoiar os milhares de venezuelanos desalojados e arrancaram na terça-feira os trabalhos de recuperação de quase 4.000 habitações de La Guaira.
"Estamos a reabilitar 3.938 habitações do estado [de La Guaira] que foram classificadas com a cor amarela durante as inspeções de habitabilidade, não por apresentarem danos estruturais, mas sim danos na alvenaria destes edifícios", disse o governador de La Guaira, Alejandro Terán, durante uma inspeção ao complexo habitacional Cacique Caribe.