Chefe do exército avisa que Israel vai manter operações em Gaza
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, avisou hoje, durante uma visita à Faixa de Gaza, que as tropas israelitas vão continuar as operações contra o grupo islamita Hamas, apesar do cessar-fogo em vigor no enclave palestiniano.
"As Forças de Defesa de Israel continuarão a agir por iniciativa própria e de acordo com o princípio que estabelecemos: eliminar as ameaças e, em quaisquer circunstâncias, proteger as comunidades e os residentes, garantindo a sua segurança", declarou o comandante militar.
Zamir afirmou que o exército não permitirá uma ameaça às fronteiras israelitas como a que ocorreu no dia 07 de outubro de 2023, referindo-se aos ataques liderados pelo Hamas no sul de Israel que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
A visita do chefe das forças armadas ocorre depois do anúncio, feito na semana passada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que o Hamas tinha aceitado desarmar-se na segunda fase do acordo de cessar-fogo, em vigor desde outubro de 2025, que implica a retirada gradual de Israel do território.
No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, recusou na terça-feira a retirada das atuais posições do exército na Faixa de Gaza, demarcadas pela chamada "linha amarela", até que o desarmamento do Hamas esteja concluído.
Os islamitas palestinianos começaram por confirmar que foi alcançado um acordo relativamente à questão do desarmamento mas posteriormente indicaram que só o farão depois da cessação dos ataques israelitas e retirada do exército.
O Conselho da Paz, órgão criado por Trump para a Faixa de Gaza no âmbito do plano da Casa Branca, esclareceu na segunda-feira que, "ao contrário de informações imprecisas", a "retirada completa" do exército israelita para além da "linha amarela" só ocorrerá após o desarmamento total do grupo islamita palestiniano, "conforme o Hamas se comprometeu perante os mediadores".
Na sua visita ao território, o comandante militar israelita sustentou que as suas forças enfraqueceram "significativamente" o Hamas e "mudaram a realidade operacional" no terreno.
"A frente de Gaza faz parte de uma campanha multifacetada. Na semana passada reuni-me com as forças no sul do Líbano e sinto aqui o mesmo espírito: um espírito de iniciativa, de ação ofensiva e de compromisso com a missão", relatou.
Apesar do cessar-fogo em vigor, as hostilidades nunca cessaram no território, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de violação da trégua.
Desde outubro do ano passado, mais de 1.250 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território, controlado pelo Hamas, cujos dados são considerados fiáveis pela ONU.
O exército israelita registou pelo seu lado a morte de cinco soldados durante este período, além de um funcionário civil contratado.
A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.