Justiça israelita trava plano para pôr crocodilos em fossos junto de prisões com palestinianos
Um tribunal israelita suspendeu um plano do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, para instalar crocodilos em fossos à volta de prisões onde estão detidos palestinianos, noticiaram hoje os meios de comunicação social locais.
Segundo as informações divulgadas, citadas pelo Middle East Eye, um portal que faz a cobertura e análise independentes sobretudo relacionadas com o Médio Oriente e Norte de África, as autoridades israelitas já tinham iniciado a escavação de valas em torno de uma secção da prisão de Ketziot, no deserto de Neguev, no sul de Israel.
Segundo o plano promovido por Ben-Gvir (extrema-direita), com o apoio do Ministério da Segurança Nacional e do Serviço Prisional de Israel (IPS), seriam colocados crocodilos-do-Nilo nas valas.
No entanto, a emissora pública KAN informou que o Tribunal Distrital de Jerusalém emitiu no domingo uma providência cautelar temporária, poucas horas depois de uma organização de defesa dos direitos dos animais ter apresentado uma petição contra a ministra da Proteção Ambiental, Idit Silman, Ben-Gvir e o IPS.
A ação judicial, apresentada pela organização Let the Animals Live ("Deixem os Animais Viver"), baseia-se em preocupações com os maus-tratos aos animais e com os riscos para os funcionários prisionais, e não nas alegações de agravamento dos maus-tratos infligidos aos detidos palestinianos.
Em julho de 2025, Silman alterou a classificação do crocodilo-do-Nilo, deixando de o considerar uma espécie protegida e passando a classificá-lo como "animal sob cuidados", abrindo caminho à sua utilização nas prisões.
A petição contesta essa decisão, exigindo que a espécie volte a ser classificada como protegida e argumentando que a ministra ignorou os pareceres dos consultores jurídicos e da Autoridade para a Natureza e os Parques.
Na decisão proferida no domingo, o juiz Avraham Rubin afirmou que "as alegações relativas aos danos previsíveis para os crocodilos justificam uma investigação e a emissão de uma ordem que proíba a sua transferência, bem como qualquer ação relacionada com a localização ou preparação dos animais para essa transferência".
O magistrado determinou que a providência cautelar se manterá em vigor até nova decisão sobre o caso, dando até quarta-feira para que Silman, Ben-Gvir e o Serviço Prisional de Israel respondam à petição.
As entidades israelitas responsáveis pelas questões ambientais opõem-se há muito ao plano de Ben-Gvir. Tanto o Ministério da Proteção Ambiental como a Autoridade para a Natureza e os Parques defendem que a reclassificação dos crocodilos não tem fundamento científico e alertam que a transferência dos animais poderá colocar em risco os funcionários prisionais.
O plano é a mais recente de uma série de medidas propostas por Ben-Gvir para agravar as condições de detenção dos prisioneiros palestinianos, incluindo a proibição de visitas, a privação de alimentos, a falta de cuidados médicos, alegações de tortura e o recurso ao isolamento.
No domingo, circularam nas redes sociais imagens do ministro da extrema-direita a troçar de uma detida palestiniana que se queixava das más condições de detenção.
Segundo organizações palestinianas de defesa dos direitos dos prisioneiros, mais de 9.600 palestinianos estão detidos por Israel, entre os quais 84 mulheres e 350 menores, sendo sujeitos a maus-tratos, incluindo negligência médica, agressões e violações, práticas que, segundo aquelas organizações, equivalem a tortura sistemática.