"É hora de dar lugar na política e no futuro da Madeira a sangue novo e ideias novas"
Alexandre Gomes, de 22 anos, é o novo líder da Juventude do JJPP, sucedendo no cargo a Jéssica Teles, actual deputada do partido na Assembleia Legislativa da Madeira. Jurista e estudante de mestrado na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, o jovem assume a estrutura com o objectivo de reforçar a intervenção dos jovens na vida política regional e dar resposta às suas propostas e preocupações. Entre os eixos centrais do mandato estão a mobilidade, a habitação, o ensino superior, o emprego e o custo de vida.
Para o novo dirigente, aproximar os jovens da vida pública exige recuperar a confiança no sistema, abalada por maus exemplos de alguns responsáveis que alimentam a ideia de que o setor político é homogéneo. "A política não pode ser julgada pelos piores exemplos. A democracia é um dos sistemas mais imperfeitos, mas continua a ser o melhor sistema que temos para decidir coletivamente o nosso futuro. É precisamente por acreditarmos nisso que queremos que os jovens se aproximem da política, participem e tenham uma palavra a dizer", afirma.
Alexandre Gomes vinca que a estrutura juvenil não assumirá uma postura passiva perante a direcção partidária ou a sociedade regional. "A juventude não pode servir só para fazer número, para mostrar que há jovens nas fileiras, nem tão-pouco para promover o carreirismo. A juventude quer dizer presente verdadeiramente. É hora de dar lugar na política e no futuro da Madeira a sangue novo e ideias novas, num sistema que está gasto e onde a juventude deixou de ter voz", diz. O líder da JJPP acrescenta que “não vamos abanar bandeiras, dizer sempre sim ou fazer número. Vamos participar, questionar, apresentar propostas e lutar pelas preocupações e pelas ambições da nossa geração”.
No âmbito das propostas concretas, a Juventude do JPP destaca a mobilidade, defendendo a fixação de um subsídio para que os jovens residentes viagem entre a Madeira e o continente pelo valor de 59 euros. No ensino superior e na ciência, a organização reivindica maior apoio aos estudantes deslocados, em particular no alojamento, bem como um investimento reforçado na Universidade da Madeira, na investigação e na inovação, abrangendo jovens estudantes, jovens trabalhadores e empreendedores.
A fixação e atracção de talento na Região é apresentada como outro desafio premente, dependente de respostas ao nível da habitação, do emprego e do custo de vida. "Não podemos dizer aos jovens que regressem ou que fiquem na Madeira se depois não lhes conseguimos garantir condições para viver. Se a habitação é inacessível, o custo de vida continua a aumentar e, em muitos casos, é mais fácil construir uma vida fora da Região, temos de reconhecer que existe um problema que a política tem de resolver", afirma Alexandre Gomes, defendendo um mercado laboral orientado pelo mérito e pela valorização das qualificações.
A eleição da Lista A dita a composição dos novos órgãos sociais da JJPP. A Comissão Política passa a integrar Alexandre Gomes (presidente), Feliciano Nóbrega e Diogo Monteiro (vice-presidentes), e Jéssica Teles, Nino Pereira e Nuno Freitas (vogais). A Mesa da Assembleia é presidida por Andreia Gouveia, contando com Tiago Gouveia como vice-presidente e Zoe Faria como Secretária.
O secretário-geral do JPP, Élvio Sousa, congratulou-se com a eleição dos novos dirigentes e saudou o trabalho da liderança cessante, sublinhando a expectativa depositada na renovação da estrutura. "Precisamos de pessoas preparadas, competentes, com sentido crítico e vontade de assumir responsabilidades. Esta renovação não deve servir apenas o partido, mas contribuir para qualificar a própria política regional. A Madeira precisa de novos quadros, de sangue novo e de ideias novas", afirma. O dirigente do JPP acrescenta que a integração desta nova geração deve traduzir-se em capacidade efectiva de decisão e numa mudança de paradigma na política regional.