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Madeira

Deputado do PSD-M acusa JPP de “aproveitamento político” da tragédia na Venezuela

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Social-democrata rejeita que o apoio de 150 mil euros tenha resultado da denúncia do partido e afirma que o processo já estava em curso, com necessidades e instituições beneficiárias identificadas.

Carlos Fernandes acusa o JPP de procurar retirar dividendos políticos da tragédia vivida na Venezuela e do sofrimento da comunidade madeirense e luso-venezuelana, defendendo que “na política não vale tudo”. A reacção do deputado do PSD-M surge depois de o JPP ter associado a conclusão do processo relativo aos 150 mil euros de apoio a uma denúncia feita pelo partido. Carlos Fernandes rejeita essa leitura e assegura que o procedimento já estava em curso.

“Estes apoios não apareceram esta semana”, afirma, explicando que houve trabalho no terreno, identificação das necessidades e das instituições beneficiárias, recolha da documentação e cumprimento dos procedimentos legais necessários à transferência de dinheiro público.

O parlamentar reconhece que a solidariedade exige rapidez, mas salienta que não permite “atropelar a lei”. Recorda ainda que o Governo Regional reagiu poucas horas depois dos sismos e iniciou de imediato o acompanhamento da situação.

Entre as diligências realizadas, destaca a deslocação à Venezuela do chefe de gabinete do presidente do Governo Regional, Rui Abreu, para contactar a comunidade e as instituições, conhecer a realidade no terreno e proceder ao levantamento das necessidades.

“Tentar agora convencer os madeirenses de que um processo desta natureza nasceu de uma denúncia do JPP, feita quando todo este trabalho já estava em curso, é aproveitamento político”, acusa Carlos Fernandes.

O deputado considera particularmente grave que o JPP tenha começado por acusar o Governo Regional de “falta de palavra”, “falta de humanismo” e de abandono das vítimas para, após a confirmação da conclusão do processo, procurar reclamar o mérito pela disponibilização do apoio.

“A comunidade madeirense e luso-venezuelana na Venezuela não precisa de demagogia. Precisa de ajuda, acompanhamento, seriedade, responsabilidade e respostas”, sustenta.

Embora reconheça a legitimidade da fiscalização política e da exigência de rapidez, Carlos Fernandes entende que não é aceitável alimentar a ideia de abandono e, posteriormente, tentar assumir o mérito de um processo que já se encontrava em desenvolvimento.

“A Venezuela já tem sofrimento suficiente e a nossa comunidade já passou por demasiado. Não merece que a sua dor seja transformada num instrumento para procurar protagonismo ou dividendos políticos”, conclui.