Itália diz que perigo na origem de controlos a Espanha "continua à vista de todos"
O ministro do Interior de Itália, Matteo Piantedosi, afirmou hoje que "as condições objetivas de perigo" que motivaram a reintrodução dos controlos fronteiriços com Espanha "continuam à vista de todos".
"Em Ceuta, ocorreu um incidente crítico que expôs Espanha e, por conseguinte, toda a UE, a uma séria ameaça em matéria de imigração e segurança", afirmou Piantedosi numa entrevista à agência italiana ANSA.
O ministro considerou que a reintrodução temporária dos controlos fronteiriços "foi necessária" devido a "condições objetivas de perigo" que, segundo disse, "infelizmente, continuam à vista de todos".
O ministro do Interior expressou o desejo de que os motivos que levaram o executivo de Giorgia Meloni (coligação de centro-direita e direita) a adotar a medida desapareçam "o mais rápido possível".
"Espanha é uma nação irmã, um país amigo "que enfrenta desafios não muito diferentes daqueles que também deve enfrentar Itália", sublinhou Piantedosi.
"Neste âmbito, nunca deixaremos de prestar todo o apoio que estiver ao nosso alcance e a nossa plena colaboração", acrescentou.
Itália reintroduziu no passado dia 31 de julho controlos em portos e aeroportos para os viajantes provenientes de Espanha, após a entrada irregular maciça de migrantes em Ceuta.
Após o governo Meloni ter ignorado apelos de Espanha para levantar as restrições aos viajantes, o governo de Pedro Sanchez (esquerda) impôs de forma recíproca controlos aos passageiros provenientes de Itália.
Na segunda-feira passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou que a situação em Ceuta continuava a ser "muito preocupante" e que Roma estava a estudar "com grande atenção" quando reabriria o espaço Schengen com Espanha, já que o seu Governo condicionou a suspensão destas restrições à evolução da situação na cidade autónoma espanhola.
A crise migratória em Ceuta ocorreu quando cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola, situada no norte de África, num período de 24 horas.
Destas, cerca de 70.000 já regressaram a Marrocos, segundo dados das autoridades espanholas.
No início de agosto, estimava-se que entre três mil e cinco mil migrantes, incluindo menores e jovens, permaneciam no enclave espanhol de Ceuta.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.