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Tremor de doente com Parkinson desaparece minutos após tratamento com ultrassons focados

Foto DR/UT Southwestern Medical Center
Foto DR/UT Southwestern Medical Center

Um homem de 72 anos com doença de Parkinson viu desaparecer, em poucos minutos, o tremor que durante anos condicionou a sua vida, depois de ser submetido a um tratamento por ultrassons focados no UT Southwestern Medical Center, no Texas, Estados Unidos.

O caso de Bud Leavell, veterano da Força Aérea norte-americana e residente em Arlington, foi divulgado pela Fox News e confirmado por informação do próprio centro médico. Leavell sofria de um tremor intenso na mão direita desde que foi diagnosticado com Parkinson, em 2017, que lhe dificultava tarefas quotidianas e até o seu passatempo de reparar rádios antigos.

A técnica utilizada é a ultrassonografia focada de alta intensidade guiada por ressonância magnética (MRgHIFU). O procedimento permite concentrar ondas de ultrassom numa zona específica e profunda do cérebro, aquecendo e destruindo de forma controlada determinados tecidos envolvidos na transmissão dos sinais nervosos anormais. Não é necessária uma incisão nem a abertura do crânio.

No caso de Leavell, os médicos começaram por utilizar ultrassons de menor intensidade para testar a resposta do cérebro e confirmar o alvo adequado. Segundo o neurologista e neurorradiologista Bhavya Shah, do UT Southwestern, a resposta foi suficientemente forte para dar confiança à equipa quanto à zona a tratar.

O tratamento definitivo foi realizado a 13 de Abril. Imediatamente depois, o doente afirmou que conseguia manter a mão imóvel, utilizar utensílios e voltar a executar tarefas que anteriormente eram dificultadas pelo tremor. No acompanhamento posterior, o efeito mantinha-se. Quando lhe perguntaram pelo tremor, respondeu: "What tremor?" ("Que tremor?").

Tratamento já aprovado nos Estados Unidos

Apesar de o caso ter sido apresentado como uma novidade, a tecnologia não é experimental no sentido estrito. A Food and Drug Administration (FDA) já aprovou o uso de ultrassons focados guiados por ressonância magnética para determinados doentes com tremor essencial e doença de Parkinson. A aprovação mais recente do sistema Exablate, em Julho de 2025, alargou a indicação a uma técnica de lesão do tracto pálido-talâmico em doentes com Parkinson idiopático avançado e complicações motoras que não respondem adequadamente à medicação.

A FDA já tinha aprovado, em 2018, a utilização do sistema para a talamotomia unilateral em doentes com Parkinson dominante de tremor e tremor resistente à medicação.

A UT Southwestern explica que o procedimento é realizado em regime ambulatório e constitui uma alternativa sem incisão à estimulação cerebral profunda, conhecida como DBS, que implica a implantação de eléctrodos no cérebro. O centro médico foi o primeiro do Texas a disponibilizar a técnica.

Não é uma cura para a doença

Os especialistas sublinham, contudo, que o tratamento não cura a doença de Parkinson. O objectivo é controlar determinados sintomas motores, podendo ser escolhido um alvo cerebral diferente consoante o quadro de cada doente.

A técnica também não está isenta de riscos. Segundo Bhavya Shah, podem ocorrer efeitos secundários como dormência ou formigueiro na boca e nas pontas dos dedos, dificuldades de marcha, fala ou deglutição, fraqueza dos membros e problemas de equilíbrio. O médico estima que efeitos secundários ocorram em cerca de 20% a 30% dos casos e tendam a melhorar com o tempo.

Outra diferença face à estimulação cerebral profunda é que o ultrassom produz uma alteração permanente no tecido tratado. Enquanto um dispositivo de DBS pode ser reprogramado se os sintomas se alterarem, a lesão provocada pelo ultrassom não pode ser simplesmente "desligada".

A investigação sobre a utilização dos ultrassons no Parkinson continua, incluindo abordagens que procuram actuar sobre diferentes estruturas cerebrais. Um estudo publicado em 2026 na Nature Communications demonstrou que a estimulação transcraniana por ultrassons pode interferir com oscilações cerebrais associadas à doença, embora esta abordagem permaneça numa fase de investigação.

Outro estudo publicado este ano concluiu que a estimulação por ultrassons de determinadas regiões, nomeadamente a zona incerta, reduziu tremores posturais e de repouso em participantes com Parkinson, reforçando o interesse científico na técnica.

No caso de Bud Leavell, o resultado foi imediato e manteve-se no acompanhamento posterior. O próprio médico responsável pelo tratamento, contudo, considera que a técnica não deve ser vista como uma solução universal, mas como mais uma opção para determinados doentes que procuram uma alternativa à cirurgia com implantes.