Embaixador de Israel na ONU critica Espanha por crise migratória em Ceuta
O embaixador israelita nas Nações Unidas, Danny Dannon, criticou hoje a política de imigração de Espanha, associando a crise migratória em Ceuta às opções do Governo espanhol e acusando Madrid de querer dar "lições" a Israel.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, Dannon afirmou que Espanha, "que nunca perde uma oportunidade de dar lições a Israel", teve de enfrentar uma situação de emergência em Ceuta devido às consequências da sua política migratória.
"Talvez, antes de nos continuar a dar lições, seja altura de Espanha explicar ao mundo porque ainda mantém enclaves coloniais em África", acrescentou o diplomata israelita.
As declarações foram feitas enquanto milhares de migrantes atravessavam irregularmente a fronteira entre Marrocos e a cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África.
As estimativas iniciais das forças de segurança apontavam para cerca de 50 mil entradas, embora as autoridades espanholas tenham esclarecido que esse número ainda não foi oficialmente confirmado. O governo autónomo de Ceuta estimou hoje que 60 mil pessoas entraram na cidade espanhola de forma irregular, a pé e a nado, nas últimas 24 horas nesta crise migratória, em que foram já confirmadas 34 mortes.
O comentário de Dannon continha igualmente uma referência ao alegado "estado de emergência" em Ceuta, no entanto, o Governo espanhol não declarou qualquer estado de emergência.
O presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, solicitou a ativação de um "estado de emergência nacional", mas o Ministério da Administração Interna respondeu que esse mecanismo não pode ser aplicado a crises migratórias, estando reservado para catástrofes naturais e tecnológicas.
Na sequência da polémica, a encarregada de negócios de Israel em Espanha, Dana Erlich, procurou distanciar o Governo israelita das declarações do representante junto da ONU.
Entretanto, milhares de migrantes iniciaram o regresso a Marrocos depois de passarem a noite ao relento e de concluírem que não conseguiriam regularizar a permanência em Espanha.
Segundo a agência EFE, grande parte das pessoas que se concentraram na cidade marroquina de Fnideq, junto à fronteira com Ceuta, regressou entretanto às suas localidades de origem.