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Madeira

JPP leva ao Presidente da República diferenças entre jovens da Madeira e do continente

Jéssica Teles defende respostas específicas para a insularidade nas áreas da habitação, mobilidade, emprego e ensino superior

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A líder da Juventude do Juntos Pelo Povo (JPP), Jéssica Teles, alertou o Presidente da República, António José Seguro, para as diferenças entre os problemas enfrentados pelos jovens da Madeira e os do continente, defendendo que as políticas nacionais de juventude devem ter em conta a realidade insular.

Na véspera das comemorações do Dia Internacional da Juventude, a dirigente da Juventude do JPP foi uma das jovens portuguesas convidadas pelo Presidente da República para o painel nacional de representantes das juventudes partidárias dos partidos com assento parlamentar, numa audição dedicada à coesão territorial e à fixação dos jovens no interior de Portugal. Em comunicado, o JPP dá conta da intervenção da sua líder da Juventude.

Apesar de o encontro estar centrado na realidade do interior do país, Jéssica Teles lembrou que “Portugal é um país atlântico e não apenas continental”, defendendo que a insularidade “não pode ser uma nota de rodapé das políticas nacionais para a juventude”.

Para a líder da Juventude do JPP, “nem todos partimos do mesmo ponto”, uma vez que, na Madeira, a insularidade condiciona directamente as oportunidades dos jovens. Habitação, emprego com remunerações adequadas, formação e mobilidade foram algumas das áreas apontadas como prioritárias.

A mobilidade mereceu particular destaque. Jéssica Teles realçou que, para um jovem madeirense, sair da Região para estudar, trabalhar ou participar numa oportunidade profissional “significa atravessar o oceano”, o que implica custos superiores aos suportados pelos jovens do continente.

Nesse sentido, criticou o actual funcionamento do Mecanismo de Continuidade Territorial, que, segundo expôs, obriga os residentes a adiantar o valor das viagens e aguardar pelo reembolso. A dirigente lembrou ainda que, em Agosto, há viagens entre a Madeira e o continente que “ultrapassam os 600 euros”, reiterando a defesa do JPP de tarifas de 79 euros para residentes e 59 euros para estudantes, sem necessidade de adiantamento.

Jéssica Teles defendeu também a criação de uma ligação marítima regular de passageiros e carga entre a Madeira e o continente, considerando que uma alternativa ao transporte aéreo contribuiria para a concorrência na mobilidade e no transporte de mercadorias e poderia ter impacto no custo de vida.

No ensino superior, a líder da Juventude do JPP considerou essencial rever o modelo de financiamento da Universidade da Madeira e reforçar a sua capacidade para aumentar e diversificar a oferta formativa, de modo a que os jovens não tenham de abandonar a Região para frequentar determinados cursos.

A dirigente rejeitou ainda a ideia de que a política de juventude deva limitar-se a “fixar” jovens nos territórios. “O que defendemos é que os jovens possam escolher ficar e não o tenham de fazer por obrigação”, afirmou, defendendo que devem existir condições para sair, estudar ou trabalhar fora e regressar.

“Um jovem do interior e um jovem de uma região insular enfrentam problemas diferentes, e se os problemas são diferentes, as respostas não podem ser as mesmas”, sustentou.

Jéssica Teles concluiu defendendo que a coesão territorial deve garantir oportunidades aos jovens “independentemente do território onde nasceram”, rejeitando um país “onde os jovens tenham de escolher entre a sua terra e o seu futuro”.