Partido da Esquerda Europeia acusa Marrocos de usar Ceuta como "chantagem política"
O Partido da Esquerda Europeia (PEE) acusou hoje o Governo do rei Mohamed VI de Marrocos de provocar a entrada maciça de migrantes em Ceuta como forma de "chantagem política" contra Espanha e a União Europeia (UE).
Num manifesto sobre a crise migratória em Ceuta, cidade espanhola na fronteira com Marrocos que no passado dia 30 registou uma entrada maciça de migrantes, o PEE, que reúne partidos da esquerda anticapitalista europeia, sustenta que o sucedido não foi um "acontecimento fortuito".
"Foi uma manobra criminosa orquestrada pela monarquia alauita e permitida pela 'Fortaleza Europa', que utiliza vidas humanas como moeda de troca geopolítica", lê-se no manifesto.
O PEE atribui a entrada maciça de mais de 70 mil pessoas em 24 horas a uma atuação deliberada das autoridades marroquinas, que, segundo denuncia, "deixaram de atuar como fronteira" depois da visita do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, à Argélia, dias antes.
Para os partidos da esquerda europeia, Marrocos utiliza o controlo dos fluxos migratórios para exercer pressão sobre Espanha e a UE e considera que o sucedido demonstra o "absoluto desprezo" de Rabat pelos direitos humanos dos seus próprios cidadãos.
No manifesto, o PEE responsabiliza também a UE pela situação, devido à sua política de externalização das fronteiras, e reclama a adoção de uma política migratória "baseada na solidariedade e na justiça social".
Na opinião dos partidos da esquerda europeia, a UE é igualmente responsável pelo tratamento dado aos migrantes ao financiar países terceiros para impedir a sua entrada em território comunitário.
Além disso, questiona o "duplo critério" da Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, que acusa de elogiar Marrocos como "pilar da estabilidade", enquanto ignora, segundo o manifesto, a sua atuação no Saara Ocidental, território ocupado por Marrocos.
Classifica também como "cinismo político" as críticas do Departamento de Estado norte-americano a Espanha, por considerar que o país fomenta a imigração irregular.
O PEE apoia ainda o pedido dirigido às Nações Unidas para ser investigada a eventual responsabilidade de Marrocos na crise e nas mortes ocorridas na fronteira de Ceuta.
Esta entrada maciça provocou a recuperação de 82 cadáveres na costa de Ceuta, enquanto Marrocos reconhece oficialmente 11 vítimas mortais no seu território.
A Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH), porém, elevou para 141 o número de mortos nas recentes avalanches migratórias registadas nas fronteiras de Marrocos com as cidades espanholas de Ceuta e Melilla.
Além disso, o PEE reclama o fim da externalização das fronteiras europeias e rejeita que a resposta à crise passe pela generalização das repatriações.