Aumento dos juros do BCE pode ter impacto nos orçamentos dos portugueses
Foi na última reunião de política monetária, a 11 de Junho, que o Banco Central Europeu (BCE) decidiu subir, pela primeira vez desde Setembro de 2023, as taxas directoras, designadamente 0,25 pontos percentuais. A decisão era esperada, mas terá consequências. A DECO PROteste alertou que a subida de juros vai consolidar o aumento das prestacções da casa e pode alterar as condições de acesso ao crédito habitação.
Na anterior reunião, a 30 de Abril, o BCE manteve as taxas directoras, pela sétima reunião de política monetária consecutiva, como também tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em Junho de 2024. A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se a 22 e 23 de Julho, em Frankfurt, e é possível que haja nova subida das taxas de juro.
Num alerta aos consumidores portugueses, a DECO PROteste vinca que a decisão do BCE de aumentar as taxas de juro directoras em 25 pontos-base, elevando a taxa de depósitos para 2,25%, “marca o fim de um período de estabilidade que durava no último ano e deverá ter impacto directo no orçamento das famílias portuguesas”.
Num contexto internacional marcado por instabilidade geopolítica, persistência de conflitos armados, tensões comerciais e crescente incerteza económica, os mercados continuam a antecipar um período prolongado de volatilidade. Não existem, para já, sinais que permitam prever uma normalização deste cenário no curto prazo, o que deverá manter a pressão sobre a inflacção e condicionar as decisões de política monetária dos principais bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu.
Possível impacto na Euribor
Agência Lusa , 06 Julho 2026 - 11:16
A subida decidida a 11 de Junho surgiu numa altura em que inflacção da Zona Euro voltava a acelerar para 3,2%, ultrapassando a meta de 2% definida pelo BCE. Para os portugueses, o principal efeito desta decisão manifestar-se-á na evolução da Euribor, indexante utilizado na maioria dos contratos de crédito à habitação com taxa variável.
Segundo as estimativas da DECO, qualquer subida sustentada da Euribor traduzir-se-á num aumento gradual das prestações dos contratos revistos ao longo do segundo semestre do ano. O impacto desta subida no bolso dos portugueses, dependerá do montante em dívida, do prazo remanescente e do indexante contratado por cada família, apesar de o aumento na taxa directora não se reflectir directamente nos contratos com taxa variável.
A DECO fez contas e aponta três cenário do possível impacto nas prestacções do crédito à habitação, se as médias da Euribor registarem igual evolução nas próximas semanas, no caso de um empréstimo com prazo 30 anos, spread de 1% e indexante Euribor 6 Meses.
No caso de um financiamento de 150 mil euros (150.000€), com o agravamento de 0,25% a prestação subiria 21,16 euros para os 697,74 euros. Para um financiamento de 250 mil euros, a subida seria de 35,26 euros para uma prestação de 1.162,90 euros. Já no caso de um financiamento de 350.000€, o agravamento seria de 49,36 euros para os 1.628,06 euros.
Dificuldade no acesso ao crédito
A DECO alerta, ainda, para um agravar das dificuldades no acesso ao crédito à habitação, como, também, para a anunciada reavaliação, por parte das autoridades nacionais de algumas medidas prudenciais actualmente em vigor.
Entre os temas que estão em discussão está a redução da taxa de esforço máxima recomendada pelo Banco de Portugal para a concessão de novos créditos à habitação. Embora ainda não exista decisão final, num contexto de taxas mais elevadas e maior pressão inflaccionista, esta alteração poderá dificultar as condições de acesso ao financiamento.
“A subida das taxas de juro não afecta apenas quem já tem crédito à habitação. Também pode tornar mais difícil o acesso à compra de casa para milhares de famílias que estão actualmente a preparar um pedido de financiamento. É fundamental que os consumidores avaliem cuidadosamente a sua capacidade financeira antes de assumirem novos encargos”, alerta a DECO PROteste.
Perante este cenário, é recomendado aos portugueses que revejam regularmente as condições do seu crédito, comparem propostas entre instituições financeiras e utilizem simuladores que permitam antecipar o impacto de futuras alterações das taxas de juro. A própria DECO disponibiliza o serviço Proteste Crédito, bem como simuladores que permitem comparar ofertas.