Dia Mundial da Prevenção do Afogamento
Assinala-se, anualmente, o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, a 25 de Julho. Efeméride que pretende alertar para aquela que é uma das 10 principais causas mundiais de morte entre crianças dos 5 aos 15 anos, e responsável pela morte de cerca de 300 mil pessoas por ano.
O Dia Mundial da Prevenção do Afogamento foi proclamado na Resolução 75/76, adoptada na Assembleia Geral da ONU de 14 de Abril de 2021. Objectiva alertar para o profundo impacto do afogamento, vincando a necessidade de se introduzirem medidas que salvem vidas, assim como meios que previnam este tipo de acidentes.
Em 2026, o tema é ‘Unidos para mudar a maré’, focando, precisamente, a prevenção. No caso do afogamento, a verdadeira oportunidade para salvar vidas é antes que o perigo se concretize. É um apelo para que todos reconheçam o papel que podem desempenhar, baseando-se na Estratégia Global para a Prevenção de Afogamentos, que objectiva inverter a tendência de afogamentos e reduzir as mortes em 35% até 2035.
A grande maioria, mais de 90%, das mortes por afogamento ocorrem em países de baixo e médio rendimento, sendo as crianças e os adolescentes das zonais rurais desproporcionalmente afectados. A subida da temperatura e ocorrência de fenómenos extremos tem contribuído para o aumento de afogamentos.
No Reino Unido, a subida de 1°C na temperatura está associada a um aumento de 7,2% no número de afogamentos. O risco é também quase cinco vezes superior nos dias em que as temperaturas ultrapassam os 25°C, comparativamente a dias abaixo dos 10 °C, segundo estudos recentes.
60 vidas perdidas em cinco anos
O mais recente balanço da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), revela um panorama de dupla velocidade na prevenção dos afogamentos de crianças e jovens em Portugal. Entre 2022 e 2024, o País registou um decréscimo acentuado no número de mortes, de 28 para 8, e de internamentos, de 49 para 13. Ainda assim, o cenário merece um estado de alerta.
De 2020 a 2022, o número médio de mortes anuais por afogamento fixou-se em 15, o que representa mais do dobro da média registada no triénio anterior, de 7,3. Embora os dados oficiais de 2023 (10 mortes) e 2024 (8 mortes) mostrem uma melhoria, os valores mantêm-se acima do mínimo histórico alcançado no período de 2017 a 2019.
Os dados preliminares de 2025 apontam para 33 casos de afogamento, fatais e não fatais. A APSI e a Guarda Nacional Republicada lançaram, neste mês de Julho, uma nova campanha, com vista a combater o afogamento infantil, apelando a que a segurança em torno da água não seja negligenciada.
O afogamento é rápido, silencioso e pode acontecer em muito poucos centímetros de água. A supervisão activa e constante por parte dos adultos, a instalação de barreiras verticais em piscinas domésticas, a vigilância por profissionais qualificados (nadadores-salvadores) de zonas de banho e mergulho e a existência de equipamento de socorro junto a planos de água não vigiados continuam a ser as ferramentas mais eficazes para salvar vidas. APSI e GNR
‘Unidos para mudar a maré’
A OMS aposta na promoção da integração segura com a água na prevenção do afogamento. Segundo a agência, mais de 90% das mortes ocorrem em rios, lagos, poços, reservatórios domésticos de água e piscinas, sobretudo em países de baixos e médios rendimentos. Para Tedros Ghebreyesus, director-geral da OMS, cada afogamento constitui "uma tragédia", sendo que a grande maioria dos casos é evitável.
Este ano, o tema ‘Unidos para mudar a maré’ reflecte a necessidade de uma acção coordenada entre governos, sectores e comunidades para prevenir afogamentos e salvar vidas. A OMS partilha um conjunto de sete estratégias, que traduzem a visão da primeira Estratégia Global para a Prevenção do Afogamento, lançada em 2025.
Entre as medidas sugeridas, destaca-se a promoção de infraestruturas seguras, a formação de profissionais de socorro, a promoção da natação e a criação de sistemas de protecção de crianças, bem como a preparação para cheias e outras emergências semelhantes. É um pacote destinado a decisores políticos, sobretudo de países em desenvolvimento. Pretende ajudar governos a fortalecer a prevenção do afogamento através de legislação e regulamentação.
Ainda assim, não faltam conselhos para famílias e empresas. Para encarregados de educação, a OMS pede supervisão apertada das crianças junto à água, que vedem o acesso a piscinas, cubram tanques e fontes de água, ensinem os mais novos a estar na água em segurança e a nadar, e que aprendam estratégias de resgate e manobras de reanimação cardiopulmonar.
Às escolas pede-se que tragam a segurança na água para os currículos, que partilhem informações sobre segurança e liguem as famílias a práticas seguras na e junto à água. Aos empregadores de quem trabalha junto à água, a OMS alerta para a necessidade de garantiram o devido treino e equipamentos de segurança, e que identifiquem e dêem resposta a possíveis riscos.