Menos acidentes de trabalho na Região mas mais mortes em 2024
A Região Autónoma da Madeira registou 4.181 acidentes de trabalho em 2024, menos 139 do que no ano anterior, o que representa uma redução de 3,2%. Apesar da diminuição global da sinistralidade laboral, o número de acidentes mortais aumentou, passando de três para cinco, segundo dados da Direção Regional do Trabalho e divulgados hoje pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM).
A construção manteve-se como o sector com maior incidência de acidentes, concentrando 22,1% do total (923 ocorrências), seguindo-se o alojamento, restauração e similares (16,0%) e o comércio por grosso e a retalho, incluindo a reparação de veículos automóveis e motociclos (14,5%).
Ainda assim, foi precisamente a construção que registou a maior diminuição face a 2023, com menos 116 acidentes, correspondendo a uma quebra de 11,2%. Em sentido contrário, as indústrias transformadoras apresentaram o maior aumento absoluto, com mais 55 acidentes do que no ano precedente.
Os dados mostram também que a maioria dos acidentes envolveu trabalhadores do sexo masculino, responsáveis por 70,6% das ocorrências, e pessoas com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos, grupo que representou mais de metade dos sinistrados (51,8%).
Por profissão, os trabalhadores qualificados da construção e similares, excluindo electricistas, foram os mais afectados, com 654 acidentes (15,6% do total), seguidos pelos trabalhadores dos resíduos e de outros serviços elementares, que contabilizaram 486 ocorrências (11,6%).
Quanto ao local onde ocorreram os acidentes, as zonas industriais lideraram, concentrando 845 casos (20,2%), à frente dos locais de actividade terciária, escritórios e espaços de entretenimento, com 798 acidentes (19,1%), e dos estaleiros e zonas de construção, que registaram 756 ocorrências (18,1%).
O principal mecanismo associado aos acidentes foi o "movimento do corpo sujeito a constrangimento físico", responsável por 1.157 casos, equivalente a 27,7% do total. Já as principais ocorrências causadoras de ferimentos foram os constrangimentos físicos ou psíquicos (1.069 acidentes) e os esmagamentos contra objectos imóveis (740), que, em conjunto, representaram 43,3% das situações registadas.
Em termos de consequências, as feridas e lesões superficiais foram as mais frequentes, correspondendo a 46,2% dos acidentes, seguidas das deslocações, entorses e distensões, com um peso de 34%. Cerca de três em cada cinco acidentes atingiram os membros superiores (34,7%) ou inferiores (27,3%).
Os acidentes de trabalho originaram ainda a perda de 128.805 dias de trabalho ao longo do ano. A construção voltou a destacar-se, concentrando 36.585 dias perdidos, o equivalente a 28,4% do total, seguida do comércio, com 16.578 dias.
Em média, cada acidente de trabalho implicou a perda de 31 dias de trabalho. As actividades de informação e comunicação registaram a média mais elevada, com 42 dias por acidente, seguidas da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, e da construção, ambas com uma média de 40 dias.
Embora os números apontem para uma redução da sinistralidade laboral na Madeira em 2024, como referido o aumento do número de acidentes mortais constitui a principal alteração face ao ano anterior, num contexto em que a construção continua a ser o sector com maior peso no total de ocorrências e nos dias de trabalho perdidos.