Comercialização de Vinho da Madeira em queda no valor e na quantidade
Nos primeiros seis meses de 2026 face ao período homólogo caiu 4,7% e 10,5%, respectivamente
A comercialização de Vinho Madeira registou uma quebra nos primeiros seis meses de 2026, com as vendas a totalizarem cerca de 1,2 milhões de litros e receitas de primeira venda de 8,9 milhões de euros, segundo dados do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM). Comparativamente ao período homólogo de 2025, verificou-se uma redução de 10,5% na quantidade comercializada e de 4,7% no valor gerado, numa evolução marcada pela retração dos principais mercados externos, parcialmente compensada pelo crescimento das vendas no mercado nacional.
Os dados foram hoje divulgados pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) e apontam que entre Janeiro e Junho, a comercialização em território nacional atingiu os 302 mil litros, ultrapassando os 2,9 milhões de euros. Deste total, 253,3 mil litros, correspondentes a 2,3 milhões de euros, foram vendidos na Região Autónoma da Madeira. Face ao primeiro semestre do ano passado, o mercado nacional apresentou um crescimento de 22,3% em quantidade e de 21,3% em valor.
Os números revelam, contudo, um abrandamento no segundo trimestre. Entre Abril e Junho, foram comercializados 584,3 mil litros de Vinho Madeira, gerando receitas próximas dos 4,3 milhões de euros, o que representa quebras homólogas de 21,2% na quantidade e de 10,6% no valor.
No exterior, as exportações para os países da União Europeia registaram a maior contracção. As vendas para este mercado cifraram-se em 535,7 mil litros, equivalentes a 2,7 milhões de euros, traduzindo-se em reduções de 25,1% na quantidade e de 21,9% no valor.
França, o principal mercado europeu para o Vinho Madeira, apresentou uma quebra de 29,5% em volume e de 30,9% em valor. A Bélgica, terceiro mercado mais importante da União Europeia, registou reduções ainda mais acentuadas, de 72% na quantidade e de 48,6% nas receitas. Já a Alemanha, segundo principal destino europeu, evidenciou um comportamento mais estável, com descidas de 5,1% em quantidade e de 1,1% em valor.
Em sentido contrário, os Países Baixos aumentaram as compras em 27% e as receitas em 7,8%, enquanto a Suécia registou um crescimento de 18,3% na quantidade exportada.
Nos mercados extracomunitários, as exportações atingiram 404,9 mil litros e geraram cerca de 3,3 milhões de euros, o que representa diminuições de 4,9% em volume e de 5,7% em valor.
Os Estados Unidos destacaram-se pela positiva, ao registarem um aumento de 0,5% na quantidade adquirida e de 8,4% no valor das compras. Já o Japão, que continua a ser o maior mercado em volume fora da União Europeia, apresentou quebras de 14,5% na quantidade e de 18,9% no valor.
Também o Reino Unido registou uma evolução negativa, com reduções de 8,9% na quantidade exportada e de 32,9% nas receitas. Entre os mercados com menor expressão, a China destacou-se pelo crescimento, com aumentos de 53% no volume exportado e de 61% no valor, enquanto a Suíça registou uma diminuição de 3,3% na quantidade, mas um aumento de 8,2% no valor.
Os dados do IVBAM mostram ainda uma valorização do produto comercializado. Do total vendido no primeiro semestre, 83,8% correspondeu a vinho engarrafado, transacionado a um preço médio de 7,94 euros por litro, acima dos 7,57 euros registados no mesmo período de 2025. O vinho vendido a granel representou os restantes 16,2%, alcançando um preço médio de 2,98 euros por litro, mais 0,27 euros do que no ano anterior.
Apesar da quebra global das vendas no primeiro semestre, o desempenho do mercado nacional e a valorização do preço médio do vinho engarrafado atenuaram o impacto da diminuição das exportações, particularmente nos principais mercados europeus.