Portugal prepara nova missão de apoio à reconstrução da Venezuela
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas reforçou a disponibilidade para ajudar na reconstrução após os sismos que destruíram algumas localidades venezuelanas
O Governo português está a preparar uma nova missão de apoio à Venezuela, prevista para Setembro ou Outubro, que será dedicada à reconstrução das zonas mais afectadas pela recente tragédia que assolou o país.
O anúncio foi feito esta quinta-feira pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, à margem do Fórum Madeira Global, tendo adiantado estar em articulação com as autoridades venezuelanas para definir os sectores prioritários de intervenção.
Emídio Sousa recordou que Portugal respondeu desde o início da crise em três fases distintas. Numa primeira etapa, enviou 62 elementos altamente especializados em operações de busca e salvamento, com experiência em cenários de sismo. Seguiu-se uma fase de ajuda humanitária, que incluiu dois aviões da Força Aérea Portuguesa carregados com equipamentos, ambulâncias e material de apoio, bem como o transporte, através da TAP, de cerca de 8,5 toneladas de medicamentos e produtos médicos.
O governante, que esteve recentemente na Venezuela reunido com as autoridades locais, afirmou que o país continua concentrado nas operações de localização das vítimas mortais, um processo que classificou como "difícil e duro", sublinhando a importância da identificação dos corpos também pelas implicações legais e sucessórias para as famílias.
Quanto à próxima fase, Emídio Sousa explicou que o apoio português passará pela participação de empresas na reconstrução de habitações, infraestruturas e redes de energia, sendo a recuperação do parque habitacional apontada como uma das principais prioridades. Emídio Sousa referiu, ainda, que aguarda a indicação das autoridades venezuelanas sobre os sectores onde existe maior necessidade de intervenção.
Sobre o financiamento da reconstrução, explicou que não existe um fundo específico português, mas que estão a ser mobilizados diversos mecanismos internacionais, incluindo apoios do Banco Mundial e de países doadores.
Questionado sobre um eventual regresso de luso-descendentes a Portugal, o secretário de Estado considerou que o termo "repatriamento" não é o mais adequado, uma vez que os voos comerciais já foram retomados e qualquer cidadão pode regressar livremente. Segundo indicou, imediatamente após a tragédia cerca de 60 a 70 pessoas colocaram a possibilidade de viajarem para Portugal, mas salientou que a maioria das famílias mantém a sua vida na Venezuela e prefere aguardar antes de tomar decisões sobre uma eventual mudança definitiva.