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Líder da oposição diz que regressará como força "estabilizadora" e "pacificadora"

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A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, disse hoje que pretende que o seu iminente regresso à Venezuela seja uma força "estabilizadora" e "pacificadora" que contribua para um processo de transição democrática após a queda de Nicolás Maduro.

"Quero pedir-vos a vossa ajuda e o vosso apoio para este processo de reencontro, no qual nós, líderes que estivemos longe do nosso país, regressaremos como uma força estabilizadora, pacificadora e organizadora, para que toda esta dor, toda esta angústia, toda esta frustração que estes momentos vividos criaram sejam canalizadas de forma cívica e pacífica para um processo de transição democrática", disse a Prémio Nobel da Paz (2025) no exílio, numa intervenção por videoconferência num fórum organizado pelo Partido Popular Europeu, em Madrid.

"Esse é o meu objetivo agora que vou regressar à Venezuela", declarou Corina Machado, sublinhando que pretende que o seu regresso canalize, por uma via cívica, uma transição democrática na Venezuela, uma vez que as autoridades interinas lideradas por Delcy Rodríguez contam com o apoio dos Estados Unidos, potência que tem vindo a orientar o país desde a captura de Maduro, numa operação militar norte-americana realizada no início do ano em Caracas.

A líder da oposição garantiu que a sua agenda passa pelo "reencontro dos venezuelanos e pelo regresso dos filhos a casa" e insistiu que "só uma transição democrática poderá trazer estabilidade e bem-estar ao país, fazer valer a soberania dos povos e integrar novamente a Venezuela nas dinâmicas democráticas do Ocidente".

Corina Machado voltou a criticar aqueles que pensam que a Venezuela pode ser reconstruída "por aqueles que criaram toda esta tragédia, que defraudaram e que saquearam", sustentando que isso "é ignorar a realidade".

As declarações de hoje da líder da oposição venezuelana surgem após os Estados Unidos terem alertado para o impacto negativo e "contraproducente" que o regresso de Machado neste momento acarretaria, num contexto da crise humanitária provocada pelo duplo terramoto que assolou o país em junho passado, em mais um episódio de desentendimento entre Corina Machado e a administração norte-americana sobre os prazos para a transição democrática na sequência da queda de Maduro.

"Hoje existe uma nação coesa, talvez a mais unida da América Latina, onde não há diferenças de ordem religiosa, racial ou regional, mas sim uma unidade em torno dos valores da justiça, da liberdade, da dignidade humana e da igualdade", argumentou, rejeitando dessa forma o risco de um conflito interno no país, que classificou como "falso".

Relativamente à crise humanitária provocada pelo duplo sismo, Machado afirmou que a situação "revelou o horror de um sistema baseado na mentira, na corrupção e na indiferença" e reforçou que agora "é o momento de ressurgir e renascer, de construir e fortalecer as redes de confiança entre os cidadãos", pois tal é o primeiro passo para "avançar na reinstituição democrática".

O número de mortos provocados pelo duplo sismo que atingiu a Venezuela em 24 de junho ultrapassou os 4.700, segundo os mais recentes dados das autoridades venezuelanas.

Entre as vítimas mortais do duplo sismo, constam 119 portugueses e lusodescendentes, indicou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.