Zelensky anuncia substituição do comandante do Exército
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje a substituição do comandante-chefe do exército, Oleksandr Syrsky.
O comando das Forças Armadas da Ucrânia, país que enfrenta há mais de quatro anos uma invasão russa, será assumido por Mikhail Drapatyi, adiantou o Presidente ucraniano no seu discurso diário.
Na mensagem, Zelensky elogiou Syrskyi pelos "resultados na defesa de Kiev, na contraofensiva de Kharkiv e na operação em Kursk", manifestando-lhe gratidão juntamente com "todos os soldados ucranianos por manterem a frente de batalha".
"Percorremos um longo caminho, a defesa da Ucrânia continua e todos os soldados merecem respeito", referiu.
"Hoje, juntamente com Syrskyi e Andriy Hnatov (chefe do Estado Maior), discutimos a transição e a devida transferência de comando", adiantou Zelensky.
Syrskyi vinha sendo alvo de contestação, que se acentuou na última semana com os protestos contra a demissão do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, resultante de um choque entre os dois altos responsáveis militares ucranianos.
Após a sua demissão, Fedorov acusou Syrsky de levar ao seu afastamento e de bloquear a tentativa de reforma do exército.
Nascido e formado na Rússia, Syrskyi tornou-se comandante das forças ucranianas em fevereiro de 2024, nomeado pelo Presidente para substituir o general Valerii Zaluzhnyi, que liderava as forças armadas ucranianas desde 2021 e se tornou uma figura popular e reconhecida internacionalmente após a invasão russa em 2022.
Antes, Syrskyi foi comandante das forças terrestres e notabilizou-se por liderar a bem-sucedida defesa de Kiev em 2022 e a contraofensiva que retomou Kharkiv, embora também tenha sido alvo de críticas pela custosa defesa de Bakhmut.
A demissão de Zaluzhnyi foi amplamente vista como um reflexo de tensões com Zelensky sobre a estratégia --- particularmente as divergências sobre o ritmo da mobilização e a avaliação de que a guerra tinha atingido um "impasse", caracterização contestada pelo gabinete presidencial.
Zaluzhnyi foi posteriormente nomeado embaixador da Ucrânia no Reino Unido.
Hoje, Zelensky afirmou que "foi percorrido um caminho significativo, a defesa da Ucrânia continua e cada guerreiro merece um tratamento digno".
"O nosso desejo comum é um só: a vitória sobre o inimigo e condições na frente de batalha e de pressão sobre a Rússia que a forcem à paz", disse Zelensky.
No terreno, a Ucrânia tem vindo a melhorar a sua posição: conseguiu travar significativamente o avanço das tropas russas e, recentemente, realizou uma série de ataques eficazes na Rússia e nas zonas do seu território ocupadas pela Rússia.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).