Opositor russo Boris Nadejdine desiste das eleições afirmando ter sido afastado
O opositor russo Boris Nadejdine, condenado a pagar uma multa por "símbolos extremistas", anunciou hoje que desiste de se candidatar às eleições legislativas de setembro, afirmando ter sido "silenciado" e "afastado da política".
Boris Nadejdine é uma das poucas pessoas na Rússia a denunciar publicamente o chefe de Estado, Vladimir Putin, e a ofensiva na Ucrânia, sem ter sido preso.
"A minha capacidade de exercer legalmente a política na oposição na Rússia esgotou-se, espero que isto seja apenas temporário", escreveu na plataforma Telegram, explicando que, de acordo com o código eleitoral, o seu estatuto de "agente estrangeiro" e a sua condenação excluem "qualquer possibilidade de ser eleito para a Duma".
"Não estou disposto a colocar em risco aqueles que me apoiam", prosseguiu, acrescentando: "Não iremos entregar à comissão eleitoral as centenas e centenas de assinaturas que recolhemos".
A campanha deste homem de 63 anos estava fortemente comprometida desde que foi declarado "agente estrangeiro" na semana passada, tendo sido posteriormente detido por breves instantes na segunda-feira e condenado na sexta-feira a uma multa de 1.000 rublos por "exibição de símbolos extremistas".
Foi processado porque, no Telegram, tinha publicado em 2023 o anúncio de um programa de outra opositora, no qual aparecia fugazmente uma fotografia do opositor Alexei Navalny.
Alexei Navalny e as suas organizações foram declarados "extremistas" antes da sua morte na prisão, em 2024. Desde então, as autoridades acusam regularmente indivíduos de promover o "extremismo" por partilharem as suas declarações, ou mesmo as suas fotografias.
"Estão a silenciar-me, a afastar-me da política, e a minha vida tornou-se muito mais difícil", escreveu Boris Nadejdine hoje, antes de agradecer aos seus apoiantes.
"Agora tenho de perceber como continuar a viver, espero permanecer vivo e livre, tenho a certeza de que tudo vai correr bem, mesmo que não seja de imediato!", concluiu.
Desde o ataque em grande escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, o regime russo intensificou fortemente a repressão, prendendo centenas dos seus críticos. Quase todos os opositores estão agora presos, mortos ou no exílio.