EUA atacam alvos militares iranianos para enfraquecer ameaça no estreito de Ormuz
As Forças Armadas norte-americanas anunciaram terem realizado hoje uma nova série de ataques contra alvos militares iranianos que, reivindicaram, "reduziram ainda mais a capacidade" do Irão para atacar o estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) indicou, nas redes sociais, que a operação começou às 07:30 da costa leste dos Estados Unidos (12:30 em Lisboa) e prolongou-se durante 90 minutos.
Durante a ofensiva, as forças norte-americanas utilizaram munições de precisão contra sistemas de defesa costeira, depósitos e plataformas de lançamento de mísseis de cruzeiro situados na ilha de Grande Tunb (Greater Tunb), no golfo Pérsico.
"Os ataques reduziram ainda mais a capacidade do Irão para atacar o tráfego marítimo comercial no estreito de Ormuz", por onde passa cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo, precisou o CENTCOM, com sede no centro do estado norte-americano da Florida (sudeste).
O Irão foi também alvo de críticas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que acusou Teerão de arrastar todo o Médio Oriente para o caos, devido aos ataques contra os vizinhos árabes, membros daquela aliança política e económica, bem como contra a Jordânia.
Os Estados-membros do CCG (Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã), assim como a Jordânia, são aliados dos Estados Unidos e acolhem, no território ou nas águas territoriais, bases ou presença militar norte-americana. Alguns destes países têm também acordos de defesa assinados com Washington.
Na terça-feira, as Forças Armadas dos Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos navios que transitam de e para o Irão através do estreito de Ormuz e lançaram uma nova vaga de bombardeamentos.
Os ataques surgiram depois da intensificação do conflito desde a semana passada, quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou terminado o acordo-quadro de cessar-fogo assinado a 17 de junho com a República Islâmica, acusando Teerão de manter os ataques contra embarcações em Ormuz.
Segunda-feira, Trump anunciou o restabelecimento do bloqueio naval e que Washington cobraria uma taxa de 20% pela proteção dos navios que atravessassem o estreito.
Contudo, um dia depois, recuou e afirmou que a medida seria substituída por acordos comerciais e de investimento com os Estados do Golfo.
A escalada, iniciada há sete dias com confrontos em Ormuz, alastrou ao Médio Oriente com três noites de bombardeamentos sobre o Irão e a resposta iraniana através de ataques na região.
O Centcom recordou que, durante o bloqueio anterior, entre 13 de abril e 18 de junho, os Estados Unidos desviaram mais de 140 navios, imobilizaram nove embarcações que desobedeceram às ordens e facilitaram a passagem de mais de 50 navios que transportavam ajuda humanitária.